personagens:
gabriel - analista de sistemas, escalador, burguês e yuppie existencialista.
rosinha - empregada doméstica.
renata - namorada do gabriel, professora de pilates e fisioterapeuta.
bruno - fotógrafo, amigo e vizinho do gabriel
rafael - auditor e escalador amigo do gabriel.
antonio - pai de gabriel, não trabalha, maluco e alcólatra.
mãe da síndica - aposentada, surda e chata.
uma introdução:
rosinha veio da paraíba, se casou, não tem filhos e mora na comunidade do complexo do alemão em jacarezinho. toda sexta ela pega o trem e salta na leopoldina deonde pega o 460 e salta na lagoa para ir até a casa de gabriel, no jardim botanico, trabalhar como diarista. as obrigações diárias dela consistem em passar roupa, dar uma geral na casa e fazer uma quantidade razoável de comida que dure uma semana. às vezes, também, vai ao supermercado quando gabriel está com preguiça de fazer as compras, mas o supermercado é perto, fica a menos de dois quarteirões da casa dele. ela chega as 9 da manha e sai por volta das 4 da tarde. gabriel gosta muito dela e de sua comida, não a explora, não dá ordens e apesar dela não ter carteira assinada, ele procura sempre no final de ano dar um bom agrado a ela. bem ... horário flexivel, conversas amigáveis, liberdade ... gabriel se acha um cara bondoso.
a história desinteressante:
(8:30 da manhã e gabriel ainda deitado na cama e rosinha abrindo a porta de casa)
rosinha: "gabiiiiiiii!!"
gabriel: "ôôôôôôôôôôôba"
rosinha: "bom dia!"
gabriel: "bom dia!"
(silêncio. gabriel ainda deitado na cama olhando para o teto. rosinha vai até a área e pega as camisas sociais no varal para passar.)
gabriel: "rosinha, vai lá trabalhar pra mim."
rosinha: "mas eu não sei fazer o que você faz."
gabriel: "é só ligar o computador e ficar olhando pra tela que tá tudo bem"
rosinha: "é isso que você faz é?"
gabriel: "é"
(gabriel continua deitado na cama olhando pro teto)
rosinha em tom de reprovação: "levanta da cama! vai! tanta gente procurando emprego por ai e você ai resmugando!"
(gabriel rapidamente se levanta da cama e vai fazer compras no supermercado. compra batata baroa pra fazer purê, cenoura para fazer cozida, frango, farinha de trigo e peito de frango para fazer dois empadões de frango e 4 latas de leite moça para fazer doce leite na panela de pressão. [sabiam disso? é bonzão - você coloca as latas na panela de pressão com água cobrindo elas e depois que começa a apitar deixe por 40 minutos. pronto! e temos o mais maravilhoso doce de leite!] gabriel diz que o empadão da rosinha é algo fabuloso. ele mandou fazer dois porque foi aniversario de um amigo dele, o basa, que mora um andar acima de sua casa e gabriel resolveu dar um empadão e duas latas de doce de leite de presente de aniversário para ele que se amarra no empadão da rosinha e se amarrou no esquema do doce de leite que ele não conhecia. gabriel chegou em casa e rosinha disse que o telefone celular tinha tocado e que tinha ligado uma moça pro telefone comum dizendo que o paciente antonio estava solicitando sua visita à clínica de recuperação. gabriel ficou resmungando e foi ver quem tinha ligado pro celular e ligou de volta.)
gabriel: coeh rapá
rafael: fala bilbo
gabriel: diga
rafael: mermão, que parada foi aquela que tu me arrumou?????
gabriel: é cara!!! mó onda!!!! UHAhuahuaUHaUHuhahuauhAhuaHUaUH
rafael: dei um doizinho sentado na privada antes de tomar banho e fui ficando estranho, estranho e depois do banho fui fazer meu alongamento e depois durmi que nem um buda!!!!!
gabriel: HUAuhaUhaUHaUHhuahuauhaUHAUHuhAuha
rafael: vamo almoçar hj?
gabriel: só se for tarde, estou atrasadão pro trabalho... já vou chegar tardão lá...
rafael: blz, me liga.
gabriel: valeu, abração
(gabriel foi tomar banho. no banho se lembrou do sonho que teve com a renata que apesar de não se lembrar, ficou um sentimento estranho de mal estar - era um sentimento de rejeição. ao sair do banho ligou para ela)
gabriel: oi
renata: oi
gabriel: po tive um sonho estranhao com vocÊ
renata: q q vc sonhou?
gabriel: não lembro ... mas lembro do sentimento ruim que ficou
renata: qual foi?
gabriel: um sentimento de rejeição
renata: ah .. não fica assim não!!! eu nunca te rejeitaria!!!
gabriel: show
renata: vem aqui pra casa de noite
gabriel: demorô
renata: bjos bjos
gabriel: vários bjoss
(gabriel ficou tranquilo, se arrumou pro trabalho e preparou a mochila porque no dia seguinte iria ter que trabalhar numa fábrica de armários de cozinha, que é um freelance que ele arrumou.
rosinha ainda estava passando roupa na sala e gabriel foi calçar o tênis sentado na escadinha que tem na porta que dá acesso a varanda.)
gabriel: "pô rosinha, chatão passar roupa né? tu tá ai a mó tempão."
rosinha: "é, não é o que eu mais gosto de fazer não..."
gabriel: "se meu chefe e nego lá no centro não se importasse com essa merda tu não taria ai de jeito nenhum"
rosinha rindo: "o que que deu em você hoje?? às vezes te dá essas esquisitices..."
(gabriel tomando seu café da manhã)
gabriel: rosinha.. vc se casou em igreja?
rosinha: sim
gabriel: quando eu for me casar não quero me casar em igreja não. se é que algum dia vou me casar.
rosinha: haha hoje vc está engraçado... meu marido não queria se casar em igreja não. pra ele tanto fazia. mas eu cheguei pra ele e falei: "se você não quizer casar em igreja vai arrumar outra. comigo vai ter que ser em igreja!" e ele pra não ter trabalho foi lá e se casou comigo mesmo ...
(depois de terminado o café, antonio ligou a cobrar pro seu celular)
gabriel: fala doença
antonio: fala verme!
gabriel: diga
antonio: os seguranças estão aqui entrando em todos os quartos revirando tudo - falou agitado
gabriel: hã? q q tah rolando ai?? ele tão fazendo o que??
antonio: nada, nada é só inspessão de rotina
gabriel: ah tah ... ah pai vc ligou a cobrar pro celular ... tah mal falar assim ... depois nos falamos
antonio: tah blz depois me liga
gabriel: falou!! bjos, tchau
antonio: bjos
(desejou bom final de semana a rosinha e saiu de casa. se encontrou com a mãe da síndica na porta alugando o motoqueiro da cipa. ela o parou e começou a falar:)
mãe da síndica: já viu isso? - falou apontando para a outra entrada do meu prédio com a porta aberta, para onde gabriel olhou e viu que tava o chão todo cagado com cocô de cachorro
gabriel: karaka
mãe da síndica: é cocô humano?
gabriel: acho que é de cachorro ...
mãe da síndica: curioso... só eu e o bruno temos cachorro...
gabriel: hummmmm
mãe da síndica: agora, quem vai limpar isso aqui? eu?
gabriel: é .... sei lá .... bem, vou indo
mãe da síndica: ....
(ela balbuciou algo que gabriel não escutou pois já tinha descido a rua. gabriel pensou se o basa, como tinha bebido horrores na noite anterior comemorando seu aniversário, não teria na madruga descido com o cão já desesperado pra cagar e se não teria cagado tudo...
gabriel foi e esperou o ônibus no ponto. como o primeiro ônibus que apareceu foi um daqueles frescões que vem da gávea em direção a praça mauá, gabriel pensou nos trÊs reais da passagem mas não exitou e pegou ele mesmo. também, ele se amarra numa mordomia e esse ônibus tem as poltronas confortáveis e o ar condicionado potente! gabriel entrou e se acomodou em sua poltrona, abriu a portinhola do vento e o direcionou diretamente para cima dele. abriu a mochila e pegou o livro que tinha comprado no dia anterior na feira de livros que tava tendo no largo do machado logo depois que saiu da terapia. o que mais chamou a sua atenção no livro foi o título "como mover o monte fuji?" - logo gabriel que adora esses koan's orientais. pediu o livro para dar uma olhada e viu que era um livro falando sobre as perguntas que são feitas durante as entrevistas para selecionar profissionais para a microsoft. tinha no livro perguntas de lógica, probalidade e koan's impossíveis! gabriel gostou, comprou e agora o estava tentando ler no conforto do ônibus indo pro trabalho. mas como é difícil para ele se concentrar em livros tendo um novo universo a sua frente vivo! - não é de costume ele pegar esse ônibus, geralmente ele pega os normais de 1,80 mesmo. ficou reparando no tipo de pessoas que pegam esse ônibus: uma senhora mais velha entrou e ficou de cara emburrada resmungando alguma coisa com o cartão do riocard na mão enquanto pegava o dinheiro na bolsa; logo depois entrou um coroa meio troglodita de cara emburrada e começou a discutir com outro porque o outro estava sentado lendo um jornal com as pernas cruzadas e o pé apontado para o corredor e o troglodita encostou a calça social no sapato do outro. o troglodita reclamou, resmungou, o outro ignorou e o troglodita saiu bufando esbarrando em todas as cadeiras e foi pro final do ônibus; mais uma figura entrou no ônibus, agora um senhor de uns 50 anos com várias tatuagens no braço, de bermudao e tÊnis e com aqueles brincos redondos vazados para alargar a orelha imitando índio que deixa um buraco enorme no lóbulo da orelha. gabriel suspirou e olhou para a parede colossal da face sul do corcovado e viu os fios de água escorrendo pela parede. se lembrou imediatamente do carnaval passado em que um amigo dele passou ali pendurado em uma via de escalada chamada oitavo passageiro. o ônibus continuava parando e as bonitas e arrumadas mulheres que entravam tinham o nariz empinado e cara de bunda, os homens eram cheios de marra e um baixo astral de energia completamente negativa rondava por ali. e no meio disso percebeu como em ônibus comuns as pessoas são diferentes daquelas, mais simples e mais sorridentes. não que seja uma regra mas o que se passou pela cabeça dele foi isso. conseguiu enfim ler o livro até passar em frente ao mam e saltou no ponto de costume no primeiro ponto da antonio carlos e foi andando para o predio aonde está trabalhando. suspirou fundo e entrou. disse bom dia a moça da portaria, pegou o adesivo, colocou na camisa e quando estava prestes a apertar o botao do elevador um senhor que estava lá no salão principal dos elevadores apertou antes para ele. gabriel agradeceu e o som que avisa que um elevador está chegando tocou. a porta abriu, e gabriel entrou. apertou o botaõ SL e se olhou no espelho para ver como a barba estava por fazer, a careca aumentando e a espinha na testa ainda não tinha secado - mais suspiros. a porta do elevador se abriu e ele bateu na porta de vidro que é presa por um imã. lá dentro é o cpd, aonde ficam todos os computadores da empresa aonde ele está trabalhando. o identificaram e abriram a porta. ele entrou e disse bom dia a todos e foi andando calmamente até sua cadeira, ligou o computador, sentou-se e começou a digitar esse texto totalmente desinteressante de um dia comum de uma vida comum.)
sexta-feira, outubro 21, 2005
terça-feira, outubro 18, 2005
o porto
é meu amigo, estou adormecido nesse blog. não estou conseguindo mais escrever - tenho achado meus textos repetitivos e chatos. outro dia estava começando a escrever um texto (que aliás começou muito bem) e mais uma vez nele apareceram aqueles rompantes de querer virar energia, de berros e uivos. e o que me incomoda é que meus textos dizem coisas que eu não sigo. são como as formas de pão ideais de platão tendo eu como o padeiro perfeccionista. aliás, digo o perfeito aqui como o meu modo que seria perfeito de ser: emancipado materialmente, selvagem e feliz. às vezes penso que no fundo no fundo meus textos são pretensiosos e megalomaníacos. cansei de escrever: to querendo viver mais e pensar menos. aproveitar essa vida que num piscar de olhos nos escapa pelas mãos. já tentou segurar a água com as mãos abertas? já tentou pegar o vento com uma peneira? já tentou colocar o sol em um potinho e colocar na estante da sua mansão? é ... as coisas e o mundo estão ai pra serem experimentados, sentidos, não para serem possuídos. não possuo nada nem ninguém. muito menos possuo a felicidade. ela é para ser encontrada, cumprimentada, dar um abraço bem gostoso daqueles saudosos e esperar que se vá com os olhos cheios de lágrimas mas sempre com a esperança de que voltará a ver de novo - que é o que sempre acontece.
quero viver. amar. experimentar tanto a dor como o prazer. e bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla !!!!!!!!!!! azblibows bublabows!!!!!! e mais azplikows puplaktziz!!!! blog blog blog blag blag blag!!!!
hahahahahhahaahahahah!!!!!!
chega! minha nau rumo à vida aportou e é pra lá, seguindo o sol a banhar-se no mar, que vou!
quero viver. amar. experimentar tanto a dor como o prazer. e bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla !!!!!!!!!!! azblibows bublabows!!!!!! e mais azplikows puplaktziz!!!! blog blog blog blag blag blag!!!!
hahahahahhahaahahahah!!!!!!
chega! minha nau rumo à vida aportou e é pra lá, seguindo o sol a banhar-se no mar, que vou!
quarta-feira, outubro 12, 2005
To be
Jamais houve um tempo em que não estive a procura do Ser. Quando me refiro ao Ser, aponto para o lugar onde ele não está. E sei que ele não está lá. Ele não está em lugar algum...Ele está aqui. Agora.
Apesar de não conseguir capturá-lo, e jamais conseguirei, continuo procurando, sempre em busca do Ser que nunca se perdeu, mas que sempre esteve exatamente onde estou. Se não foi perdido, porque estás a procurar? Comece lavando o seu prato, pois não há lugar onde se possa atingir qualquer "iluminação", não há caminho. Nenhum caminho leva ao Ser. Pois o Ser não se pode encontrar. E mais, ele não é para ser encontrado, pelo menos não por "alguém". Por isso não posso vê-lo, não posso tocá-lo. Por isso não estou em lugar algum. Onde eu estaria? Do ponto de vista de quem?
Estou falando de coisas que não se pode falar, mas continuo falando, falando, falando...E daí? Quem quiser entender, que entenda. Quem não quiser, que continue a xingar. Transplante de ego. Quanta besteira. Seu ego não está em lugar algum. Pelo menos em nenhum lugar que você possa olhar, tocar, capturar, desberlotar...Destruir, aniquilar.
Não há quem entenda coisa nenhuma.
Apesar de não conseguir capturá-lo, e jamais conseguirei, continuo procurando, sempre em busca do Ser que nunca se perdeu, mas que sempre esteve exatamente onde estou. Se não foi perdido, porque estás a procurar? Comece lavando o seu prato, pois não há lugar onde se possa atingir qualquer "iluminação", não há caminho. Nenhum caminho leva ao Ser. Pois o Ser não se pode encontrar. E mais, ele não é para ser encontrado, pelo menos não por "alguém". Por isso não posso vê-lo, não posso tocá-lo. Por isso não estou em lugar algum. Onde eu estaria? Do ponto de vista de quem?
Estou falando de coisas que não se pode falar, mas continuo falando, falando, falando...E daí? Quem quiser entender, que entenda. Quem não quiser, que continue a xingar. Transplante de ego. Quanta besteira. Seu ego não está em lugar algum. Pelo menos em nenhum lugar que você possa olhar, tocar, capturar, desberlotar...Destruir, aniquilar.
Não há quem entenda coisa nenhuma.
quinta-feira, outubro 06, 2005
transEgo
não quero dormir pois tenho medo de acordar. fico por aqui perambulando por esse estado de vigilia procurando algo para fazer, vasculhando sites na internet ou então esperando até que o kurosawa escreva algo para continuarmos nesse caminho sem sentido algum de escrever sem parar divagando sobre o pensar.
tenho sonhado muito, sonhos com catracas na orelha, negação a deus, copos se transformando em chifres, carros afogados sendo dirigidos por espíritos, macacos jogando côcos na minha cabeça, baratas saindo do meu coro cabeludo, surf em piscinas artificiais dentro de salas, vidas submarinas ... ai ai ai...
acordo e indo trabalhar na minha rotina diária - jardim botânico, voluntários, praia de botafogo, praia do flamengo, beira-mar, passeio - fico reparando como a personalidade e a vida vai moldando o rosto das pessoas: um cara alegre fica com rugas voltadas para cima ao redor da boca, já um cara triste emburrado fica com as testas pesadas e as rugas ao redor da boca voltadas para baixo...
e por falar em rotina diária, vi hoje em um outdoor de ponto de ônibus uma frase da poeta e atriz elisa lucinda que me deu um soco no estômago: "Parem de Falar Mal da Rotina". depois dessa frase comecei a olhar as pessoas na rua com outros olhos e a frase que um mestre zen disse a seu aluno depois que este lhe perguntou "mestre, como faço para atingir a iluminação" o mestre lhe respondeu "Comece lavando seu prato" fez todo o sentido para mim. e logo eu que reclamo tanto da rotina! meu deus! como reclamo ... sou um chato insuportável. até eu não me aguento mais! quero parar de pensar!!!
- será que já fazem por aí transplante de ego?
tenho sonhado muito, sonhos com catracas na orelha, negação a deus, copos se transformando em chifres, carros afogados sendo dirigidos por espíritos, macacos jogando côcos na minha cabeça, baratas saindo do meu coro cabeludo, surf em piscinas artificiais dentro de salas, vidas submarinas ... ai ai ai...
acordo e indo trabalhar na minha rotina diária - jardim botânico, voluntários, praia de botafogo, praia do flamengo, beira-mar, passeio - fico reparando como a personalidade e a vida vai moldando o rosto das pessoas: um cara alegre fica com rugas voltadas para cima ao redor da boca, já um cara triste emburrado fica com as testas pesadas e as rugas ao redor da boca voltadas para baixo...
e por falar em rotina diária, vi hoje em um outdoor de ponto de ônibus uma frase da poeta e atriz elisa lucinda que me deu um soco no estômago: "Parem de Falar Mal da Rotina". depois dessa frase comecei a olhar as pessoas na rua com outros olhos e a frase que um mestre zen disse a seu aluno depois que este lhe perguntou "mestre, como faço para atingir a iluminação" o mestre lhe respondeu "Comece lavando seu prato" fez todo o sentido para mim. e logo eu que reclamo tanto da rotina! meu deus! como reclamo ... sou um chato insuportável. até eu não me aguento mais! quero parar de pensar!!!
- será que já fazem por aí transplante de ego?
quarta-feira, outubro 05, 2005
Desnudar
Queria me desnudar por inteiro...Mentira. Não quero saber o que se esconde por detrás do labirinto, o Minotauro não é conhecido nem será. Que faço eu? Eu, eu, eu, eu, eu....Ou seja, EU! A linha tênue entre loucura e sanidade, entre a vida e a morte, entre prazer e dor, sonho e vigília, culpa e liberdade...É aí que me encontro, no limbo da psiquê, no abismo da mente que eu mesmo cavei com meus próprios pensamentos...Sinto falta do que nunca fui, do passado que nunca aconteceu...E do futuro, sinto ele se esvair por entre a realidade concreta e dura...Divago sobre minha consciência num dia de chuva, onde nada acontece, só a multidão de pessoas dentro do meu estômago e o pânico de estar só. Fico a esperar uma solução vinda da desgraça, oscilando entre a verdade e a mentira mas só encontro a verdade falsificada, mascarada...Nada mais me toca, nada mais satisfaz o desejo de nunca me satisfazer por inteiro, inteiro, inteiro...Palavras, palavras, palavras...Apenas palavras soltas como metáforas e meta-liguagens usadas e descartadas...Uma bela visão não é mais do que uma bela visão...E só. Só, sozinho, inerte, cansado...
sexta-feira, setembro 30, 2005
Poesia
Criança desnuda
se arrebenta no chão
O impacto que chega
precede a solidão
e o momento eterno do silêncio
antes da dor
chegar na feição
é o abismo da vida
que se mostra
e a vontade do pai
que quer tirar seu filho
das garras da ilusão
e carrega a morte em seu coração
se arrebenta no chão
O impacto que chega
precede a solidão
e o momento eterno do silêncio
antes da dor
chegar na feição
é o abismo da vida
que se mostra
e a vontade do pai
que quer tirar seu filho
das garras da ilusão
e carrega a morte em seu coração
quinta-feira, setembro 29, 2005
nuvens de concreto
um dia cinza, amanheceu quente e com sol e foi perdendo a cor durante o dia. entre as nuvens dá para enxergar o azul pálido turqueza dos céus. no pão de açucar vejo chuva caindo e aqui na varanda do amarelinho não - que nem quando vemos o estranho fenômeno dentro do apartamento de alguém: em uma janela estar chuvendo e do outro lado não. na praça da cinelândia sentado perto da banca de jornal tomei um picolé observando garotos com camera na mão entrevistando uma moça no banco da praça: fiquei curioso para saber quem era. mas quando ela se levantou vi que uma amiga a estava esperando no banco ao lado e se levantou também, percebi então pelos trejeitos das duas que ela era apenas uma moça comum. acabei com o picolé e quando estava indo pagar vi que na banca estava vendendo o livro "uivo" do allen ginsberg daquela maravilhosa coleção da lp&m e quase o comprei mas preferi economizar dindim; até porque não estou com saco de ficar lendo textos da geração beat no momento - eu já me basto. olhei para o prédio aonde eu trabalho e pensei: nada. respirei fundo e fui andando olhando para as pedras portuguesas no chão e desviando dos pombos. um deles até deu um rasante meio bruce lee ao meu lado e me lembrei de um dia que em um desses rasantes um me deu uma patada na testa. entrei pela porta do prédio e, como todo dia, repetiu-se a rotina: sou recebido pelos porteiros do predio com o mesmo cumprimento que eu próprio instaurei e dissiminei entre eles no prédio: "e aÊÊÊÊmmmmmm...". agora cá estou eu sentado em frente a esse computador e escrevendo pra ver se o tempo passa mais depressa - como às segunda-feiras torcemos para chegar logo o final de semana e como no começo do mês assim que acabamos de receber o salário queremos logo que o mês passe rápido para recebermos o próximo salário - e assim vai: dormi com 24 anos e acordei com 28. invento brincadeiras durante o dia: fico olhando para o teclado desfocando os olhos até que consigo trepar as teclas umas em cima das outras criando um efeito tridimencional, ou então pego a parte de baixo do guarda-sol e com uma fita durex prendo um chicote que tem aqui na empresa com os dizeres impressos "produtividade" e com esse extensor de chicote levo diretamente até a baia ao lado no ouvido do meu gerente e falo: "lig lig lig", ou então vou ao banheiro e fico uivando e fazendo caretas em frente ao espelho, ou então fecho os olhos e tento conseguir escutar todos os sons que estão a minha volta: o som das teclas do meu teclado, o som da cadeira de bambu rangendo lá na sala de reunião, o som dos apitos dos guardas lá embaixo, o som dos freios dos ônibus, um som longínquo quase nulo de algum instrumento de sopro - será que vem do teatro municipal? ou então de alguma sala de aula de música? o sinal abriu - todos os carros arrancaram e estão .... o toque dos sinos da câmara dos deputados acabou de tocar prendendo toda minha atenção e matando todos os outros sons... o ranger da porta aqui da varanda e o vento batendo suave. e aqui dentro da sala: um silêncio mórbido - aonde todas as cabeças estão dentro dessas telas mechendo com essas sopas de letrinhas. acorrentados as cadeiras, afogando sonhos, dilacerando as vontades... aí, o sangue insano dentro de mim urge! sinto vontade de pegar os monitores e jogá-los pela janela! sinto vontade de tirar a roupa fazer uma fogueira e dançar em volta dela correndo nu pela sala balançando meu piru para todos verem e berrar!! urrar!! e pedir socorro!! pedir para virem os bombeiros me salvar!! um remedinho por favor, me vê um aldolzinho, pode ser? para sossegado dormir por três dias seguidos numa cama de hospital...
uah!! bocejo gostoso. aonde estou? num país longínquo? numa estrela brilhante? quem são essas coisas a minha volta? coração batendo rápido. meu desejo se realizou? o novo bateu a minha porta? o azul do céu agora está rosa bebê. estou num deserto azul turqueza completamente nu. o chão, se é que posso chamar de chão, é todo com a consistência de borracha pellikan. posso pular em cima e me esborrachar no chão. estou em uma planície e ao longe vejo uma elevação que parece ser uma montanha. corro saltando na borracha - ah acabei de descobrir: aqui a força de gravidade é mais baixa que a da terra, estou dando saltos de mais de 2 metros de altura leve como uma pluma. corro como em todos os sonhos sempre corri - sem conseguir sair do lugar e com passos largos como um astronauta na lua. preciso me infurnar nesse mundo? ah o telefone tocou e a voz do meu chefe... estou entre os dois mundos... ahhh..... a planicie de borracha pelikkan me chama novamente: minha fuga! minha salvação! corro corro completamente nu e livre - sem fome e sem cáries! aqui posso fazer fotossíntese e não evacuo! meus excrementos são auto-aproveitaveis! minha pele mudou de cor - está de uma cor que nem eu conheço ... mas parece o que ai na terra vocês chamariam de vinho... mas não é vinho ... pq vinho é aí, aqui é, é, ah é essa cor aqui que parece vinho. meus cabelos estão duros como metal. minhas unhas parecem garras. corri até chegar perto da tal montanha e lá estava um navio. um navio?????? o que esse navio está fazendo aqui? poderia ser qualquer coisa mas o que essa nau portuguesa está fazendo aqui???? que saco! minhas referências da terra me perseguem até aqui!!! que saco!!! mas fazer o que? vou até lá procurar o que tem dentro dessa nau portuguesa. ela está encostada perto da elevação que parece com as montanhas do arizona na california - ah! são as montanhas do desenho do bip-bip e do coiote! minha infância! e então subo no navio por aquelas cordas presas na frente. e nas paredes da elevação montanhosa vejo argolas pretas iguais a câmaras de ar de pneus de carros de diversos tamanhos presos por ganchos de açougueiro. eu não exitei e saltei em uma das argolas e zuonnnnnnnnnn ionnnnnnnnnnnng. que nem desenho animado fui até os céus e meus olhos esbugalhados ficaram em frente a camera grande angular com o navio em enquadramento perfeito a esquerda da imagem e eu segurando na câmara esperando a volta e o impacto suave nas borrachas. nooooosssssaaaa!!!!! bung jumpy no mundo da borracha pelican e naus portuguesas e minha nova forma não humana quase extraterrestre ausente de ânus e aparelho digestivo! uau! vou experimentar mais um pouco essas novas sensações e vou saltitando pelo deserto como um lunático saltimbanco trapalhão. toing toing toing. gás muito gás. não é noite nem de dia. nem frio nem quente. e mais toing toing por ai. parei. e comecei a perceber tão logo que no fundo eu não quero estar aqui nesse lugar fantástico e sozinho assim. quero mais é voltar praquele mundo de onde vim e onde sim, existe a dor e o amor! quero cair e me esburrachar no chão e sangrar. e depois vir uma mão delicada e me fazer curativos nos joelhos e dizer que me ama me dando beijos no pescoço.
nada de seringas com remédios e camas de hospital com morfeu de enfermeiro. cá estou de novo em frente ao computador e agora já anoiteceu e estou só aqui no trabalho. não chove mais e o som dos carros, do avião, dos apitos dos guardas e dos freios dos ônibus continuam ad eternum. a badalada do sineiro das nove horas! trancarei as portas das varandas, descerei pelo elevador, falarei o último "eaêÊÊÊÊÊmmmmmmmmm" para os porteiros, andarei pelas pedras portuguesas até o ponto de ônibus e dentro das janelas dos ônibus observarei as pessoas - todas - que passam pelas ruas e estão indo pra casa ou estão no belmont tomando um chopp ou então indo trabalhar agora nessa madrugada a dentro sob névoas até o amanhecer gelado. e eu adormecerei grato por ter hoje, mais uma vez, vencido a angústia que é viver e ter me deixado ver as maravilhas e sutilezas que nos fazem seguir - simples assim - andando e topando e chorando e sofrendo e rindo e bebendo e acariciando e odiando e matando e brincando e amando: eternamente aqui e agora!
uah!! bocejo gostoso. aonde estou? num país longínquo? numa estrela brilhante? quem são essas coisas a minha volta? coração batendo rápido. meu desejo se realizou? o novo bateu a minha porta? o azul do céu agora está rosa bebê. estou num deserto azul turqueza completamente nu. o chão, se é que posso chamar de chão, é todo com a consistência de borracha pellikan. posso pular em cima e me esborrachar no chão. estou em uma planície e ao longe vejo uma elevação que parece ser uma montanha. corro saltando na borracha - ah acabei de descobrir: aqui a força de gravidade é mais baixa que a da terra, estou dando saltos de mais de 2 metros de altura leve como uma pluma. corro como em todos os sonhos sempre corri - sem conseguir sair do lugar e com passos largos como um astronauta na lua. preciso me infurnar nesse mundo? ah o telefone tocou e a voz do meu chefe... estou entre os dois mundos... ahhh..... a planicie de borracha pelikkan me chama novamente: minha fuga! minha salvação! corro corro completamente nu e livre - sem fome e sem cáries! aqui posso fazer fotossíntese e não evacuo! meus excrementos são auto-aproveitaveis! minha pele mudou de cor - está de uma cor que nem eu conheço ... mas parece o que ai na terra vocês chamariam de vinho... mas não é vinho ... pq vinho é aí, aqui é, é, ah é essa cor aqui que parece vinho. meus cabelos estão duros como metal. minhas unhas parecem garras. corri até chegar perto da tal montanha e lá estava um navio. um navio?????? o que esse navio está fazendo aqui? poderia ser qualquer coisa mas o que essa nau portuguesa está fazendo aqui???? que saco! minhas referências da terra me perseguem até aqui!!! que saco!!! mas fazer o que? vou até lá procurar o que tem dentro dessa nau portuguesa. ela está encostada perto da elevação que parece com as montanhas do arizona na california - ah! são as montanhas do desenho do bip-bip e do coiote! minha infância! e então subo no navio por aquelas cordas presas na frente. e nas paredes da elevação montanhosa vejo argolas pretas iguais a câmaras de ar de pneus de carros de diversos tamanhos presos por ganchos de açougueiro. eu não exitei e saltei em uma das argolas e zuonnnnnnnnnn ionnnnnnnnnnnng. que nem desenho animado fui até os céus e meus olhos esbugalhados ficaram em frente a camera grande angular com o navio em enquadramento perfeito a esquerda da imagem e eu segurando na câmara esperando a volta e o impacto suave nas borrachas. nooooosssssaaaa!!!!! bung jumpy no mundo da borracha pelican e naus portuguesas e minha nova forma não humana quase extraterrestre ausente de ânus e aparelho digestivo! uau! vou experimentar mais um pouco essas novas sensações e vou saltitando pelo deserto como um lunático saltimbanco trapalhão. toing toing toing. gás muito gás. não é noite nem de dia. nem frio nem quente. e mais toing toing por ai. parei. e comecei a perceber tão logo que no fundo eu não quero estar aqui nesse lugar fantástico e sozinho assim. quero mais é voltar praquele mundo de onde vim e onde sim, existe a dor e o amor! quero cair e me esburrachar no chão e sangrar. e depois vir uma mão delicada e me fazer curativos nos joelhos e dizer que me ama me dando beijos no pescoço.
nada de seringas com remédios e camas de hospital com morfeu de enfermeiro. cá estou de novo em frente ao computador e agora já anoiteceu e estou só aqui no trabalho. não chove mais e o som dos carros, do avião, dos apitos dos guardas e dos freios dos ônibus continuam ad eternum. a badalada do sineiro das nove horas! trancarei as portas das varandas, descerei pelo elevador, falarei o último "eaêÊÊÊÊÊmmmmmmmmm" para os porteiros, andarei pelas pedras portuguesas até o ponto de ônibus e dentro das janelas dos ônibus observarei as pessoas - todas - que passam pelas ruas e estão indo pra casa ou estão no belmont tomando um chopp ou então indo trabalhar agora nessa madrugada a dentro sob névoas até o amanhecer gelado. e eu adormecerei grato por ter hoje, mais uma vez, vencido a angústia que é viver e ter me deixado ver as maravilhas e sutilezas que nos fazem seguir - simples assim - andando e topando e chorando e sofrendo e rindo e bebendo e acariciando e odiando e matando e brincando e amando: eternamente aqui e agora!
"Quem não cita se trumbica".
É...O bicho tá pegando pro meu lado...O cachorro raivoso tá vindo atrás de mim babando e com vontade de morder a minha bunda, como fez com meu primo zé naquela estradinha de terra perto da minha casa lá em Petrópolis quando ainda éramos crianças. Naquele dia fiquei muito nervoso, eu sempre tive medo de cachorro. Mas quando relembro o episódio com meus primos, sempre damos gargalhadas e rimos da cara do Zé. Coitado do Zé. Seu erro foi ter corrido do cão, por isso ele o atacou. Se tivesse ficado parado, talvez o cão não o tivesse atacado. Ou tivesse atacado outro. Talvez tivesse ME atacado. Que bom que foi com o Zé... É...Mas agora o bicho tá pegando pro meu lado. Tô vendo o cachorro chegando, vejo a raiva em seus olhos vermelhos e a boca cheia de espuma e os dentes afiados à mostra, um cachorro todo preto que sente o cheiro do medo que exala dos poros dos que são mais covardes...Fico paralisado, esperando um milagre divino que me tire dessa situação por tantas vezes protagonizadas por mim...Mas agora acho que Deus não vem me ajudar...Não desta vez, agora ele quer que eu enfrente o cão. Ele quer que eu enfrente o meu medo de cara, como um homem...Ele deve estar pensando: "Agora não vou mais ajudar...Ou mata ou morre...Chega de ajudar meu filho querido...Agora ele vai ter que enfrentar...Vai ter que virar o homem que ele já é"...E eu aqui, de cara com o cão dos infernos, meu mais profundo medo, meu monstro de infância, a velha aterrorizante que aparecia nos meus piores pesadelos quando eu ainda era uma criança. Era só sentir a presença da velha que eu já ficava completamente desesperado e com muito, mas muito medo, e o sonho sempre terminava com a cara dela aparecendo pra mim e eu acordava gritando todo suado e depois não conseguia mais dormir por um bom tempo com medo dela aparecer de novo...A velha estava me esperando no mundo de Morfeu, sorrindo diabolicamente...E eu ficava acordado, com medo e sem ninguém para me ajudar...Às vezes eu ia pra cama dos meus pais e me enfiava no meio deles e dormia feliz...Eram as noites edipianas mais gostosas de toda a minha vida...Eu lá, no conforto da cama e da segurança da companhia dos meus pais...Lá eu dormia como nunca mais dormi...Na cama dos meus pais eu não tinha pesadelos...Às vezes, quando dormia sozinho, eu sonhava com elevadores que subiam ou desciam sem parar...E passavam da cobertura em direção ao desconhecido ou iam para o poço dos meus medos inconscientes e mais terríveis. Ainda tenho medo de elevadores...Medo de perder o controle, como diria minha ex-analista e segunda mamãe Manuela...Uma mulher gordinha que ficava lá, ouvindo o que eu tinha a dizer...Foi depois do incidente no parque da cidade que eu começei a ir lá...Era uma segunda-feira às nove da manhã e eu matando aula para ir fumar maconha com um amigo quando chega um carro de polícia do nada e me leva para a porta da minha casa...Lembro-me como se fosse ontem...Meu pai de pijama, minha mãe de camisola chorando e eu no carro dos porcos fardados tomado de culpa e vergonha...Meu pai deu uma grana pros porcos e eu entrei em casa...Só oito anos depois eu consegui deixar mamãe Manu e seguir a minha vida...Mas a velha ainda está aqui...E o cão continua lá me esperando...O conforto da cama dos meus pais eu não tenho mais. Já a segurança da casa deles...Acho que já é um passo...Mas não é tão confortável como antes...Tenho que seguir a minha jornada...Entrar na aventura que me foi designada e enfrentar os monstros e obstáculos até chegar ao pai que continua me acenando de sua canoa contente com a minha disposição em substituí-lo na temível aventura da vida e da terceira margem do rio que é onde a vida se encontra...A terra firme fica cada vez mais monótona e insuportável...E eu esperando o pai voltar para a margem, mas ele está decidido a ficar em sua canoa. Eu é que tenho que chegar até ele, não ele a mim...Ele já fez o que ele tinha que fazer e substituiu seu próprio pai. Agora está na minha vez. Que venham os cães e monstros e velhas. Estou pronto para a vida!
quarta-feira, setembro 28, 2005
kurosawa, quem são seus livros?
foda-se kant, foda-se nietzche! quero ver o dudu que às vezes aparece nos textos e logo é soterrado por alguma teoria vagante desses filósofos que criaram uma estrutura de pensamentos para encobrir seus próprios problemas pessoais ... caguei pra eles ... cadê os passeios com os cães na rua e depois seus sacrificios que tanto mecheram com você? cadê seu amor pela sua namorada? cadê seus baixo gaveas? cadê suas vagabundagens? cadê seu amor escondido pelo seu pai? aonde está o dudu que conheço ou pelo menos acho que conheço no meio dessas teorias todas??? apareça meu grande amigo! quero te ver! quero respirar por onde andas, escutar o que falas na mesa do jantar, ouvir suas abobrinhas por mais tolas que sejam! quero sentir seu amor pelo mundo e por tudo apesar de as vezes parecer que não ama nada e ninguém... mas eu sei que ama! e como tem amor ai dentro desta casca... que seja triste, que seja felicidade, que seja idiotice, que seja rancor, que seja qualquer coisa por menos importante que pareça mas sim, mostre-se! mostre-me! cadê a experiência por ti vivida e descoberta nas rachaduras do teto branco de seu quarto? o que aprendeu remando na lagoa? e sendo extorquido por um policial? me conte! vá! espero um dia ler nesse blog, "e como diria EU, dudu, blablabla" ao invés de como diria kant, shopenhauzer, nietxhce, santo agostinho, papa, deus, jesus, buda!! ahhhhhh quem são eles perto de ti? exemplos, sim! mas e vc? hein? como você mesmo disse: você é a eternidade sendo feita aqui e agora!
mermão, isso não é um esporro apesar de ser um esporro. isso é um tapa de pai, tapa de irmão mais velho no rosto do irmão que tanto ama. você já me deu tantos tapas na cara e sou muito grato por isso. me acordou e já me ajudou muito, muito mesmo.
lembra de quando nos conhecemos? conexão total! desde o início escrevíamos juntos e conversávamos muito sobre tantas coisas da vida! e como conversávamos! me sentia como no livro de jack kerouac ao vivo! e cá estamos nós hoje em dia mais uma vez escrevendo e sempre nos ajudando e sempre conversando como irmãos perdidos em vidas passadas que se reencontraram...
é dudu, gosto de você pra caralho!
mermão, isso não é um esporro apesar de ser um esporro. isso é um tapa de pai, tapa de irmão mais velho no rosto do irmão que tanto ama. você já me deu tantos tapas na cara e sou muito grato por isso. me acordou e já me ajudou muito, muito mesmo.
lembra de quando nos conhecemos? conexão total! desde o início escrevíamos juntos e conversávamos muito sobre tantas coisas da vida! e como conversávamos! me sentia como no livro de jack kerouac ao vivo! e cá estamos nós hoje em dia mais uma vez escrevendo e sempre nos ajudando e sempre conversando como irmãos perdidos em vidas passadas que se reencontraram...
é dudu, gosto de você pra caralho!
segunda-feira, setembro 26, 2005
leo, o intransferível tigre
sim, vc foi podre e me infernizou por um tempo. eu também era um garoto - um príncipe podre dentro do castelo das fantasias tendo mickey mouse e a xuxa como meus melhores amigos. me fez odiar a riqueza, o poder e me desconstruiu. mas me mostrou um mundo que eu desconhecia: me ensinou a amar os excluídos. sim foi aterrorizante o aprendizado, tal qual um tratamento de choque. mas eu agradeço e como agradeço. e suplicava para me ensinar um pouco mais e te imitava. queria ler os mesmos livros que lia, gostar das mesmas musicas que ouvia, falar de política e de tudo tão bem como falava. no fundo te idolatrava e escondia esse sentimento com o desprezo - com desdém. era uma farsa! ficamos nessa guerra durante anos! uma guerra fria! que relação louca! e muitas drogas envolvidas... mas enfim apesar de hj em dia não parecer e ter tantos rancores e sentimentos obscuros e as vezes não querer nem sentir seu cheiro e nem chegar perto - eu gostaria que vc tivesse sido meu pai, mas não é. e é dificil pra mim te chamar de pai, muito dificil. não sei ao certo se te considero como pai - até porque não aceito de forma alguma a severidade de um pai -, mas sim, te considero muito e te admiro muito, muito mesmo. você é foda! e obrigado por ter me ajudado a deixar as drogas, se não fossem vocês e seus conselhos e toda essa relação aberta que temos eu poderia estar perdido por aí vagando por clinicas ou em algum ambulatório pelo ipub ou pinel ou então pela índia feito um mendigo... sim, eu te amo e te odeio. e ontem vc me ligou e naquele momento eu estava namorando no leme tomando uma água de coco e você falando tantas coisas e pedindo desculpas por ter sido podre e a renata veio e sentou no meu colo e você ao telefone e as ondas no mar batendo nas pedras e uma garota com a mãe fazendo oferendas a iemanjá e beijos no pescoço e nosso papo de pai e filho e vó e tantas coisas!!!! caramba, como isso tudo é muito louco! e estamos vivos e falamos sobre a vida e vivemos as vezes (na maioria delas) resmungando dela mas não desistimos e tentamos sempre acertar as coisas. é isso o que importa: tentar, mesmo na certeza da morte!
sábado, setembro 24, 2005
Por que não me mato?
Querido Anônimo,
Finalmente recebo uma resposta, um comentário, uma provocação. Desde já, muito obrigado. Já estava começando a me sentir sozinho aqui. Além de tentar descobrir furos no sistema de minha própria estrutura racional, como já disse antes, escrevo neste espaço para provocar. Finalmente consegui o que queria. Aleluia! Sem mais, vejamos.
Continuo achando o tempo subjetivo, ainda que observe meus cabelos caindo, minha juventude se esvaindo e a fila do INSS cada vez mais perto. Mas como explicar para alguém sobre a natureza ilusória do tempo se este alguém acredita piamente na ciência? Vivemos em tempos sombrios, onde a Filosofia, que outrora trabalhava como empregada doméstica da Teologia, agora arrumou um empreguinho de merda na casa da ciência, e ainda por cima, ganhando bem menos. Esta última é quem manda agora. E quer controlar tudo. Quer conhecer tudo, mesmo depois de Kant a ter colocado em seu devido lugar. Dizem por aí que vivemos em tempos de crise, onde não há mais certezas, onde o final feliz dos contos de fada é tido como histórinhas de ninar, onde a crise da razão é o postulado a priori e o que impera é o niilismo. Tudo besteira! A nova geração prefere Nietszche a Kant, Sartre a Platão. Leiam Kant! Pois se não leram Platão, como querem entender Nietszche? Aliás, o bigodudo alemão que morreu maluco acreditou piamente na ciência e nos colocou na periferia do universo, nos tirou do centro e agora cá estamos, vivendo neste planetinha de merda jogados na existência como seres para a morte, Seres-aí afundando na lama do nada e do desespero. O bigodudo mestre da desconfiança morreu na praia, pois não compreendeu a mensagem que habita por detrás do símbolo, a realidade descrita nos mitos, a eternidade celeste que se encontra nas metáforas de todas as religiões e na verdadeira arte. A ciência quer banir do mundo a dúvida, a incerteza, o mistério, quer controlar até a morte, esta senhora absoluta do desconhecido, adiando a "vida" de indivíduos indefinidamente como vegetais apodrecendo nos leitos de hospitais lotados de jovens e cheios de vida pela frente. O que importa não é a comunidade, mas o ego, o indivíduo que acredita que a morte do corpo é o fim de todo o seu ser. Querem eternizar o indivíduo e se esquecem de que a eternidade se encontra aqui e agora, o espírito batendo na porta da mente presa em sua estrutura espaço-temporal, sussurando bem silencioso como a dizer: "Estou aqui". Este indivíduo não consegue perceber que participa da energia da vida atemporal, e não concebe um estado anterior ou posterior à sua própria vida corporal. Esta é a tragédia da vida, que foi anunciada e belamente representada pelo povo grego e resiste até hoje na literatura moderna. É necessário uma mudança de foco, onde o indivíduo não seja mais a razão de tudo, o ponto-de-vista mais privilegiado. Quando vamos começar a privilegiar a comédia, e, nas palavras de Joseph Campbell "sua natureza mais elevada que a tragédia, que manifesta uma verdade mais profunda, de percepção mais difícil, de estrutura mais sólida e de revelação mais completa?" Ainda nas palavras de Campbell: "A mente meditativa está unida na representação de mistérios, não com o corpo cuja morte é apresentada, mas com o princípio de vida contínua que por algum tempo o habitou e que, durante esse tempo, foi a realidade revestida na aparência, o substrato em que o nosso eu se dissolve quando a tragédia que desfigura a face do homem despedaça, esmaga e dissolve nossa capa mortal". Lindo! A natureza nos dá o exemplo, onde vemos em qualquer selva criaturas se alimentando da morte de outras vidas, perpetuando o teatro do eterno retorno. Quando damos ênfase ao indivíduo e não a comunidade, quando entendemos as escrituras ao pé da letra e não metaforicamente, o que acontece é o que está nas páginas de todos os jornais atualmente. Um bando de idiotas no oriente que não conseguem perceber que o "Seu" Deus é o mesmo que o Deus do outro, lutando por "terras sagradas", quando a verdadeira mensagem é que a "terra sagrada" é o lugar onde você está sempre. Onde o "amar ao próximo" só é respeitado dentro de sua própria comunidade, onde os recursos naturais só existem para satisfazer suas necessidades imediatas, e não a comunidade humana por inteiro e as gerações futuras. A comédia nos fala da natureza eterna e invencível da própria energia da vida, onde o indivíduo se identifica não com a sua natureza corpórea e mortal, mas com a vida que insiste em sobreviver eternamente.
Ouvi outro dia uma história pelas palavras de um jovem instrutor de práticas orientais que era mais ou menos assim: Um velho foi procurar um mestre zen alegando estar doente. Após ter ouvido as lamúrias e lamentações do velho, o mestre respondeu mais ou menos assim: "Ora, você já está velho. Já viveu, se casou, teve filhos. Está na hora de morrer. Aceite isso". Por fim, respondendo ao meu caro amigo desconhecido, não me mato por que a morte é o que dá sentido a vida, é a grande inspiradora da Filosofia e que nos une a eternidade. A experiência da eternidade se encontra aqui e agora, não em outro mundo.
Por hora é só. Que venham mais provocações.
Finalmente recebo uma resposta, um comentário, uma provocação. Desde já, muito obrigado. Já estava começando a me sentir sozinho aqui. Além de tentar descobrir furos no sistema de minha própria estrutura racional, como já disse antes, escrevo neste espaço para provocar. Finalmente consegui o que queria. Aleluia! Sem mais, vejamos.
Continuo achando o tempo subjetivo, ainda que observe meus cabelos caindo, minha juventude se esvaindo e a fila do INSS cada vez mais perto. Mas como explicar para alguém sobre a natureza ilusória do tempo se este alguém acredita piamente na ciência? Vivemos em tempos sombrios, onde a Filosofia, que outrora trabalhava como empregada doméstica da Teologia, agora arrumou um empreguinho de merda na casa da ciência, e ainda por cima, ganhando bem menos. Esta última é quem manda agora. E quer controlar tudo. Quer conhecer tudo, mesmo depois de Kant a ter colocado em seu devido lugar. Dizem por aí que vivemos em tempos de crise, onde não há mais certezas, onde o final feliz dos contos de fada é tido como histórinhas de ninar, onde a crise da razão é o postulado a priori e o que impera é o niilismo. Tudo besteira! A nova geração prefere Nietszche a Kant, Sartre a Platão. Leiam Kant! Pois se não leram Platão, como querem entender Nietszche? Aliás, o bigodudo alemão que morreu maluco acreditou piamente na ciência e nos colocou na periferia do universo, nos tirou do centro e agora cá estamos, vivendo neste planetinha de merda jogados na existência como seres para a morte, Seres-aí afundando na lama do nada e do desespero. O bigodudo mestre da desconfiança morreu na praia, pois não compreendeu a mensagem que habita por detrás do símbolo, a realidade descrita nos mitos, a eternidade celeste que se encontra nas metáforas de todas as religiões e na verdadeira arte. A ciência quer banir do mundo a dúvida, a incerteza, o mistério, quer controlar até a morte, esta senhora absoluta do desconhecido, adiando a "vida" de indivíduos indefinidamente como vegetais apodrecendo nos leitos de hospitais lotados de jovens e cheios de vida pela frente. O que importa não é a comunidade, mas o ego, o indivíduo que acredita que a morte do corpo é o fim de todo o seu ser. Querem eternizar o indivíduo e se esquecem de que a eternidade se encontra aqui e agora, o espírito batendo na porta da mente presa em sua estrutura espaço-temporal, sussurando bem silencioso como a dizer: "Estou aqui". Este indivíduo não consegue perceber que participa da energia da vida atemporal, e não concebe um estado anterior ou posterior à sua própria vida corporal. Esta é a tragédia da vida, que foi anunciada e belamente representada pelo povo grego e resiste até hoje na literatura moderna. É necessário uma mudança de foco, onde o indivíduo não seja mais a razão de tudo, o ponto-de-vista mais privilegiado. Quando vamos começar a privilegiar a comédia, e, nas palavras de Joseph Campbell "sua natureza mais elevada que a tragédia, que manifesta uma verdade mais profunda, de percepção mais difícil, de estrutura mais sólida e de revelação mais completa?" Ainda nas palavras de Campbell: "A mente meditativa está unida na representação de mistérios, não com o corpo cuja morte é apresentada, mas com o princípio de vida contínua que por algum tempo o habitou e que, durante esse tempo, foi a realidade revestida na aparência, o substrato em que o nosso eu se dissolve quando a tragédia que desfigura a face do homem despedaça, esmaga e dissolve nossa capa mortal". Lindo! A natureza nos dá o exemplo, onde vemos em qualquer selva criaturas se alimentando da morte de outras vidas, perpetuando o teatro do eterno retorno. Quando damos ênfase ao indivíduo e não a comunidade, quando entendemos as escrituras ao pé da letra e não metaforicamente, o que acontece é o que está nas páginas de todos os jornais atualmente. Um bando de idiotas no oriente que não conseguem perceber que o "Seu" Deus é o mesmo que o Deus do outro, lutando por "terras sagradas", quando a verdadeira mensagem é que a "terra sagrada" é o lugar onde você está sempre. Onde o "amar ao próximo" só é respeitado dentro de sua própria comunidade, onde os recursos naturais só existem para satisfazer suas necessidades imediatas, e não a comunidade humana por inteiro e as gerações futuras. A comédia nos fala da natureza eterna e invencível da própria energia da vida, onde o indivíduo se identifica não com a sua natureza corpórea e mortal, mas com a vida que insiste em sobreviver eternamente.
Ouvi outro dia uma história pelas palavras de um jovem instrutor de práticas orientais que era mais ou menos assim: Um velho foi procurar um mestre zen alegando estar doente. Após ter ouvido as lamúrias e lamentações do velho, o mestre respondeu mais ou menos assim: "Ora, você já está velho. Já viveu, se casou, teve filhos. Está na hora de morrer. Aceite isso". Por fim, respondendo ao meu caro amigo desconhecido, não me mato por que a morte é o que dá sentido a vida, é a grande inspiradora da Filosofia e que nos une a eternidade. A experiência da eternidade se encontra aqui e agora, não em outro mundo.
Por hora é só. Que venham mais provocações.
sexta-feira, setembro 23, 2005
música
queria escrever som! que cada tecla fosse como um batuque de samba numa mesa de bar. como tambores indianos fumegantes de incenso. como música clássica envolta pelas eletrônicas batidas de moby a passar por sobre a estrada do joá indo pra barra da tijuca observando o mar: - o cheiro da maresia de um dia nublado. queria não ser influenciado por nenhum escritor e por nada que já tivesse lido. mas estou impregnado por tudo que já passei. por cada rótulo de cigarro, por cada tubo de pasta de dente, por cada outdoor, jornais, revistas, comerciais, cartazes de shows. pelas letras de funks e pelas canções nordestinas. cordel! ouça: os tiros de lampião e o som das cabeças cortadas pela lâmina enferrujada. o som da chacina do paraiso de antonio conselheiro: saraivada de balas e o som dos canhões - gritos, choros, chamas e salvas de palmas e urros de vitória - viva o rei! roberto carlos, eu sou terrível! o tambor a dar o ritmo dos navios vikings: hup, hup, hup! os gritos de horror e de raiva da preparação para a guerra! o som do coração a mil por hora e o olhar em fúria, e o ranger dos dentes, o som das águas do mar sendo cortadas como por uma lâmina pelo casco da embarcação. e mais ao sul o mesmo tambor a dar o ritmo dos navios negreiros, um ritmo mais lento, mais lamentoso, mais carregado e, ao invés de urros de fúria, choros e lágrimas e chicotes e o som de uma sessão de umbanda! o som de um batuque de negros - candomblé: dança, dança, dança! e batuques, atabaques, ôgams, incensos, defumadores e capoeira! muita capoeira, pandeiro e berimbau ! diq dum dum, diq dum dum, diq dum dum... e os pés passam em volta dos meus ouvidos como um zunido de bala, e o som das pernas ao ar, o sincronismo perfeito do corpo com pêndulos e sons e transe e etc e tal. e no metrô escuto no som dos vagões o som de antigas locomotivas se perpetuando por minas gerais. e a fumaça negra contrastando com o céu azul e o verde das colinas. ah! ontem na cinelância em frente a câmara, tinham alunos da escola de circo fazendo palhaçadas ao som de hermeto pascoal, e atrás os grevistas dos correios com a faixa segurada com desdem - estavam enfeitiçados pelo espetáculo. logo depois o som de um galope nordestino e forró e meu deus como sou grato por isso! o som! o som dos passos de tênis em um prédio aonde acabaram de encerar o chão e a borracha irritando pelos longinquos corredores. as unhas por cortar arranhando um quadro negro. um prego arranhando um vidro. bolinha de plástico rangendo nos dentes. isopor arrastando um no outro. as unhas no ferro do elevador... ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh que nervoso!!!!!!!!!! ugi ugi ugi gagagaag ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!! arrepios e é tudo som! vozes e mais vozes e mais vozes se multiplicando na acústica de um bar com os ânimos exaltados pela cerveja, vodka, caipirinha, caipivodka e mais ânimos e mais quem quer chamar mais atenção e mais egos e mais besteiras e mais filosofia de buteco e politica - a fofoca dos intelectuais - e poesia e eu te amo e eu te odeio e bla bla bla e som na caixa e ninguem mais entende nada e um som uníssono é percebido permeando todos os sons que só os mais atentos quase ninguém que neste momento já se desligaram de todos e ao mesmo tempo conectaram em todos e ohmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm..................................... o som das águas.
o som das águas em um rio batendo suavemente nas pedras. um pássaro: - piu!
o silêncio. um zumbido de um zangão! o mover-se suave com medo de quebrar algo - de tão frágil que parece tudo a minha volta.
o vento suavemente sobre as folhas. o balançar suave das copas das árvores.
só consigo compreender o som depois de compreender o silêncio...
o som das águas em um rio batendo suavemente nas pedras. um pássaro: - piu!
o silêncio. um zumbido de um zangão! o mover-se suave com medo de quebrar algo - de tão frágil que parece tudo a minha volta.
o vento suavemente sobre as folhas. o balançar suave das copas das árvores.
só consigo compreender o som depois de compreender o silêncio...
quarta-feira, setembro 21, 2005
mágica
queria escrever luz! que da tela do computador saltassem letras tridimensionais e como abelhas estivessem prontas a me dar o mel. queria entrar pelos fios e navegar pelos tubos de fibra ótica, atravessar os oceanos até chegar a índia! queria que ao escrever me transformasse. transformasse o mundo! mas não como o tocador de flautas pronto a levar os ratos pra dentro do rio... queria o mais puro deleite! contemplar as nuvens e sentir arrepios na nuca! sentir os ventos passar por dentro de mim e beber águas dos rios... nadar nu por entre as ondas do mar e brincar com os plânctons numa noite de luar! depois, correr, correr pela praia urrando e tentando me esquecer do que sou e me lembrar do que já fui... mesmo que isso não tenha importância alguma... queria sim amar loucamente despreocupado... e fodam-se as contas a pagar - de volta ao lugar-comum. sim! sonho com liberdade! liberdade material e espiritual! poder chegar na rua e sentar ao lado de uma pessoa em um banco na cinelândia e poder dar bom-dia e perguntar se o tempo vai virar sem ao menos a pessoa sair de perto com os olhos arregalados de medo de tantas coisas... e que tantas coisas criamos! e que tantos medos temos! suspiro com os olhos fechados e só me vem a cabeça a enseada de botafogo com o pão de açucar ao fundo - deja vu eterno! as vagas e barcos a pescar pela baía, anzóis ao lado do MAM - hélio oiticia, seus parangolés e o samba! que século passamos! e queria tanto andar de mãos dadas pelo aterro... e dizer besteiras e comer algodão doce! simples assim. mas nada me é impossível. tenho o gosto pelo infinito! salto e vou pendurado pelos bondinhos de santa tereza até o bar do mineiro comer aquela feijoada e rir com o jeito baiano trio elétrico de jorge salomão. vou até a casa da mariana poppoff e ouço o yuri tocando com a lena horta e sua flauta mântrica maravilhosa. corro pelos trilhos até ir tomar um banho naquela ducha nas paineiras... e ver o sol nascer sobre niterói a iluminar a pedra da gávea... vejo aqui de cima as ilhas cagarras! e o jóquei e a lagoa rodrigo de freitas e o cristo de braços abertos a dar boas vindas para o Sol! Escorrego do mirante e caio bem na cachoeira dos primatas... me sinto um índio tomando banho na cachoeira completamente nu e rezando e olhando para as árvores e fazendo Yoga com o som das águas, do mato e de tiros da favela próximo ao clube do macaco no Horto - para incrementar ainda mais a poesia! Corro de volta pela trilha, respirando terra e voando por sobre as árvores e dou de cara com policiais parados ao largo me dando dura e perguntando o que estou fazendo ali a essa hora e querendo achar algo que não existe - procurando sarna pra se coçar! e deixam seus pacotes do Bob´s por ali mesmo junto com os papelotes e as camisinhas... ahhhhhh! a escuridão volta a tomar conta do texto! afaste-se de mim! quero sim escrever como um alienado e me esquecer de tudo de ruim que acontece! quero de volta a luz e a inocência da infância quando tudo parece mágico e dentro de um desenho de uma caixa quero enxergar de novo a ovelha lá dentro... curiosidade mágica que aguça os sentidos! o que estará atrás daquela esquina? e minha pupila dilata e meu coração pula e tchan tchan tchan!!! nada de mais, apensas mais uma rua... ha! mas o que importou foi aquele mágico momento da descoberta! como um beijo ainda desconhecido e um cheiro ainda não sentido. paro. me deu agora aquele divino vazio cheio de graças calmo como um lago sem vento a refletir o céu e em sua superfície somente os insetos a desenhar e eu o apreciador passivo dessa peça viva que é a vida!
terça-feira, setembro 20, 2005
Tempo
Tive um insight outro dia sobre o tempo. Percebi que meus pensamentos se encadeiam uns aos outros dando a ilusão de que algo ocorreu antes ou depois. É como se cada um dos meus pensamentos não sobrevivesse sozinho, necessitando sempre outro pensamento para que possa existir(o pensamento existe?), cada um agindo como um gancho para o próximo pensamento, que por sua vez é enganchado em outro e assim ad infinitum, nos dando uma ilusão de tempo. Assim como Kant, não atribuo ao tempo uma dimensão objetiva, mas subjetiva, onde o tempo não é nada em sí mesmo, mas somente uma intuição sensível que faz parte de nossa própria estrutura. Assim como Einstein, acredito que o tempo é relativo. Certa vez, ao ser perguntado sobre como teria bolado ou criado sua teoria da relatividade, o grande cientista respondeu: "Minha teoria é simples. O tempo passa lentamente quando estamos fazendo algo entediante. Por outro lado, quando estamos acompanhados de uma linda mulher, o tempo passa voando". Simples assim, não obstante, brilhante.
É preciso morrer para que outra vida possa nascer. É preciso que uma geração morra para que uma nova possa surgir. É necessário compreender o ciclo da vida, onde uma vida se alimenta de outra vida. É necessário abrir mão do ego, do indivíduo, para que a comunidade possa evoluir. Chega de entubadores e médicos prolongadores de mortos-vivos. Viva a eutanásia! Quando vamos aprender a morrer e a respeitar a morte, esta deusa, senhora do absoluto desconhecido? Até onde podemos prolongar uma vida? Morram velhos mortos-vivos aposentados! Já viveram o bastante. É hora de passar a bola. Aceite a vida em todas as dimensões! Chega de aposentadorias e filas do INSS e o caralho! A morte faz parte da vida, assim como a vida faz parte da morte. Não há o que temer. É necessário o auto-sacrifício!
É preciso morrer para que outra vida possa nascer. É preciso que uma geração morra para que uma nova possa surgir. É necessário compreender o ciclo da vida, onde uma vida se alimenta de outra vida. É necessário abrir mão do ego, do indivíduo, para que a comunidade possa evoluir. Chega de entubadores e médicos prolongadores de mortos-vivos. Viva a eutanásia! Quando vamos aprender a morrer e a respeitar a morte, esta deusa, senhora do absoluto desconhecido? Até onde podemos prolongar uma vida? Morram velhos mortos-vivos aposentados! Já viveram o bastante. É hora de passar a bola. Aceite a vida em todas as dimensões! Chega de aposentadorias e filas do INSS e o caralho! A morte faz parte da vida, assim como a vida faz parte da morte. Não há o que temer. É necessário o auto-sacrifício!
segunda-feira, setembro 19, 2005
tempo
óh tempo! amigo dos solitários, companheiro dos mendigos, infalível remédio para desamores, inimigo dos ansiosos e transformador dos tolos em sábios!
óh tempo! lapidador das pedras, progenitor das areias das praias e criador do sol!
óh tempo! fostes meu inimigo por muito tempo. arrancastes fora meus cabelos. colocou-me fortes expressões nas testas e olhos. mataste-me de arrependimentos por merdas feitas no passado - e remorsos! deixaste meu coração tão duro como os ossos e infernizaste minha vida! mas também me curaste. me trouxeste o perdão, a compreensão e me aliviaste a dor!
óh tempo! és a relatividade encarnada! és inesgotável quando criança; és imperceptível quando estamos em um carro a alta velocidade; és o maior dos contadores de histórias! és o ranger dos joelhos e as marcas no sorriso do velho jogador de dominós da praça; és invencível e o mais veloz dos corredores contra o envenenado por uma cobra em um local desolado e, o fiel aliado do criador do antídoto.
óh tempo! és a medicina! és a experiência! és a história, a filosofia e a poesia! és o deleitar-se nas entrelinhas, a magia das vírgulas e o místico das reticências...
óh tempo, por todos os lugares que andei e por toda minha vida me seguistes como uma sombra. não me deixastes só nem por um segundo: - o segundo, esse teu primogênito mais mimado! até que enfim descobri: o lugar aonde não te encontro, aonde tornas-te impotente! e somente nesse lugar não te damos importância, nem a mínima que seja. lá aonde um segundo dura uma eternidade. lá aonde não existe passado nem futuro: lá bem no fundo daqueles olhos castanhos, na sinceridade do sorriso e no toque dos lábios...
óh tempo, és inexistente quando se ama!
óh tempo! lapidador das pedras, progenitor das areias das praias e criador do sol!
óh tempo! fostes meu inimigo por muito tempo. arrancastes fora meus cabelos. colocou-me fortes expressões nas testas e olhos. mataste-me de arrependimentos por merdas feitas no passado - e remorsos! deixaste meu coração tão duro como os ossos e infernizaste minha vida! mas também me curaste. me trouxeste o perdão, a compreensão e me aliviaste a dor!
óh tempo! és a relatividade encarnada! és inesgotável quando criança; és imperceptível quando estamos em um carro a alta velocidade; és o maior dos contadores de histórias! és o ranger dos joelhos e as marcas no sorriso do velho jogador de dominós da praça; és invencível e o mais veloz dos corredores contra o envenenado por uma cobra em um local desolado e, o fiel aliado do criador do antídoto.
óh tempo! és a medicina! és a experiência! és a história, a filosofia e a poesia! és o deleitar-se nas entrelinhas, a magia das vírgulas e o místico das reticências...
óh tempo, por todos os lugares que andei e por toda minha vida me seguistes como uma sombra. não me deixastes só nem por um segundo: - o segundo, esse teu primogênito mais mimado! até que enfim descobri: o lugar aonde não te encontro, aonde tornas-te impotente! e somente nesse lugar não te damos importância, nem a mínima que seja. lá aonde um segundo dura uma eternidade. lá aonde não existe passado nem futuro: lá bem no fundo daqueles olhos castanhos, na sinceridade do sorriso e no toque dos lábios...
óh tempo, és inexistente quando se ama!
sexta-feira, setembro 16, 2005
sonho
sonho com um grande desastre natural todos os dias ... um grande meteoro se chocando com a terra e matando 9/10 da população mundial - ricos, pobres, cristãos, ateus, indianos, americanos - inclusive eu! sonho com todos os mísseis se tranformando em chafarizes. todas as usinas elétricas e atômicas sendo destruídas e todas as fábricas parando. a terra sem luz ... o que faremos? ei cientistas!!! pensem agora! o que fazer? do que adiantaram seus bilhões gastos em aceleradores de partículas subatômicas? do que adianta a porra da nave lá em marte procurando sei lá o que? hein? vocês sabem lavrar a terra? sabem fazer ao menos um pão? ordenhar uma vaca? haha ... duvido!! sonho com os humanos respeitando mais a terra, voltando seus olhos pra terra ... estamos tão cercados por concretos e comlurb e privadas e canos de esgoto que não nos damos conta pra onde vai a nossa merda. você sabe pra onde vai o saco plástico do supermercado? as embalagens de plástico coloridinhas com design moderno de todos os produtos conservadinhos em estabilizantes se entulham na frente dos condomínios luxuosos ... e um dia o cristianismo nos disse "amar ao próximo" muito condizente com sua época. mas hoje eu vos digo "amai a terra porque se não houver mais terra não haverá o próximo".
infeliz
Me volto para dentro à procura da doença que corrói meu coração, o tumor que habita meu peito, cheio de mágoas, desespero e frustração. Quero extirpá-lo, destruir a tristeza dos covardes que não escolhem uma solução. Preferem a mágoa, o sofrimento e a condenação. Já avisei a todos, não quero ser feliz! Me deixem em paz, acompanhado da inútil melancolia dos que não querem a salvação. Sei que sou assim, e não quero sua ajuda, miseráveis! Deixem-me apodrecer na terra, continuem a encher o bucho de alegrias, para depois vomitá-las em cima de mim. Uma cova abri para meu coração, na esperança de que tu jogues a última pá de terra por cima do caixão. Assim estou desobedecendo a Deus, é tudo o que quero. Para que, no final, presencie sua grande misericórdia e me salve do inferno que eu próprio criei. Se quiseres, caro amigo, me acompanhe nesta jornada infeliz, para que possas presenciar a morte de um idiota, que no fundo só quer chamar a atenção daqueles que não soube respeitar. Talvez com isso aprenda a dizer sim a vida meu caro amigo, e possa eu fazer uma boa ação. Assim poderei ao menos me cubrir de vergonha do egoísmo que fiz minha razão de viver.
terça-feira, setembro 13, 2005
porque escrevo
eu não escrevo por prazer. escrevo como quem morre, como quem acaba de ser arrancado os testículos. escrevo depois de ter levado um soco na cara e me ver com a cara desfigurada e sentindo em minha lingua o que restou dos poucos dentes despedaçados. escrevo depois ser cortado o corpo todo com estiletes e ser jogado em uma bacia de alcool e sal grosso e tacado fogo. escrevo gritando de dor ao ser pendurado com uma corda pelos cabelos (o que restou deles) e descido lentamente até encostarem os dedos do pé nas lavas de um vulcão. suplico, imploro mais um pouco de dor!!! e sou puxado de volta somente com os cotocos do que restou das pernas e amarrado pelas mãos em um Grand Cherokee e arrastado a toda velocidade pela areia do deserto em volta do vulcão e por sobre cactos e espinhos. escrevo sem esperança alguma no mundo. escrevo descrente, amargurado e com raiva pelo óleo derramado por sobre a baía de guanabara. escrevo somente com um olho que restou e me vejo parado em frente a uma árvore. árvore já sem vida alguma, seca, completamente seca. o sol impiedoso e vil vingador. e lá me pregam como a um Cristo. escrevo como um fariseu, como um romano, um judas! e os pregos estavam fervendo e o sol está forte. mal sinto ele na minha carne cheia de escoriações. o suor misturado ao sangue me desce pela pele. o Grand Cherokee se vai. e eu fiquei só. só? tem uns urubus passando aqui em cima. escrevo como carniça fedorenta. ih! tá vindo um aqui na minha direção. pousou ao lado do meu braço e está comendo aos poucos a carne que restou ao redor da mão. escrevo com urros e berros e gargalhadas enlouquecidas! um rato do deserto veio, e para minha maior alegria me subiu pelos pedaços de perna e me comeu o que tinha restado do saco escrotal e do pau. escrevo como quem quer se libertar. e estava quase livre! acabou? não! quero um pouco mais de dor!!! quero um pouco mais de perdão! supliquei e como por um milagre veio um faminto e lindo lobo do deserto trazendo consigo a vingança de toda sua raça - o libertador, o salvador! com grande esforço e sons de moedor de carne ele arrancou da árvore dilacerando os membros e foi jogada ao chão aquela massa disforme de ser inumano que um dia foi eu - e lambendo os beiços a roeu até os ossos lentamente até um suspirar aliviado se esvair. escrevo então sem ossos. sem mãos. sem carne: sem vida! escrevo espírito!
Pequenas alegrias
A vida é feita de pequenas alegrias. Provavelmente alguém já escreveu isso em algum lugar, talvez alguém famoso até, eu é que sou ignorante, ou talvez só esquecido. Mas começo a perceber a verdade nestas palavras. A vida é feita de pequenos momentos, pequenas alegrias, e são estes momentos que fazem a vida valer a pena. No caminho da vida, estamos sempre buscando uma felicidade por inteiro, uma verdade absoluta, um orgasmo inatingível enquanto as pequenas felicidades, as verdades microcósmicas e os pequeninos orgasmos estão acontecendo, enquanto a vida em sí está acontecendo. E acabamos por não aproveitar estes momentos, ou talvez somente não damos conta de que estes pequenos momentos é que fazem a vida, é que realmente são a vida. Uma conversa despretensiosa com a empregada, uma noite falida bebendo cerveja no bar, um sorriso da pessoa amada, um acidente engraçado, um ato falho, esses são os momentos mais importantes. Um lanche com a família onde às vezes todos se esquecem de brigar e conversam e sorriem sem nenhum propósito importante,um filme visto com seu pai, um carinho naquela hora, um telefonema, um chocolate, um passeio com o cachorro, uma piada meio sem graça...São estes momentos que fazem a vida valer a pena e não prestamos muita atenção neles, pois estamos sempre a procura de algo maior, de um objetivo distante, de uma felicidade duradoura. O que importa é o caminho, não a chegada.
terça-feira, setembro 06, 2005
Sonho
Vou dormir e sonhar e dormir e sonhar pra ver se algo acontece e acordo num susto e minha vida inteira se resolva para mim porque eu nao consigo mais resolver e na verdade eu to de saco cheio de tentar resolver as coisas que ficam passando e adiando e nao se resolvem então eu vou sonhar para ver se algo do meu inconsciente sai do fundo da minha mente e se revele para mim para que eu possa escrever num caderninho meu sonho e faça minhas associações e decida o que quero fazer e como fazer e porque fazer e tudo isso que no fundo eu nao acho que vai acontecer mas talvez se eu continuar a escrever assim meio que sem limites e pontos e virgulas e acentos meu inconsciente expulse sem querer o que eu guardei e que no fundo eu nao queria saber e tal e nada acontece e eu já estou ficando de saco cheio de tentar escrever que estou de saco cheio mas na verdade eu acho que eu so estou desanimado com essa falta de perspectiva que toma a minha vida de tanto tedio que nao aguento mais uma so tristeza e pode ser a gota dagua e que talvez quem sabe talvez resolva algo que eu nao mais consigo nem quero resolver e que no fundo nada se resolveu desde que eu me entendo por gente pelo menos gente que eu imagino que seja uma pessoa normal e que pense que e gente e essas coisas todas de pensamento linguagem e mente e tal e problemas e vida e ser humano e destino e profissao e ego e mitologia e filosofia que no fundo nao resolvem nada e esse tal de kierkegord que diz que todos somos desesperados e tal e que o pior e aquele que nao sabe que esta desesperado mas quando percebe seu desespero descobre que a sua vida inteira foi desesperada e procurando a salvacao e a solucao de problemas que no fundo nao resolvem o problema mais fundamental que e o de saber quem sou eu e me sentir vivo e que no fundo estamos procurando nao um sentido para a vida mas uma experiencia de estar vivo e tal e esse texto vai ser revisto porque dizem por ai que reescrever e mais importante que escrever e sera que ja esta saindo algo das brechas do meu inconsciente e que me facam uma revelacao bombastica do que eu realmente estou procurando e porra porque a gente fica o tempo inteiro pensando e tal e esse texto parece um sonho porque o sonho e uma coisa meio sem sentido mas que se voce for analisar tem todo o sentido do mundo e tal e essas coisas que as pessoas dizem e que voce acha que e verdade e esse papo de inconsciente coletivo talvez explique alguma coisa mas no fundo nao resolve nada mas na verdade o que resolvera isso talvez seja um sonho mesmo mas ai voce nao vai resolver nada pois o sonho e que resolvera por voce e tal mas no fundo esse texto e sobre sonho entao acho que a moral da historia e que o sonho e algo como a vida mas num sentido mais preguicoso e voce la deitado e tal e etcetera e tal
terça-feira, agosto 30, 2005
A incrível arte de ressucitar defuntos 2
mais um dia!!!!
vamos, levante moribundo! em marcha, ande!
(shhcleck - chicote açoitando)
ande logo, carregue seu fardo, e agradeça por estar leve demais.
(shhcleck - chicote açoitando)
e agradeça por estar vivo.
(shhcleck - chicote açoitando)
e agradeça por ter o que tens.
(shhcleck - chicote açoitando)
e agradeça pela saúde que tens.
(shhcleck - chicote açoitando)
e agradeça pelos poucos e preciosos amigos que tens.
(shhcleck - chicote açoitando)
e agradeça pela família que tens.
(shhcleck - chicote açoitando)
e agradeça pela incrível capacidade de conseguir hoje enxergar as cores nesse dia completamente cinza.
(shhhhhhhhhcleckssssssssssss - múltiplos chicotes açoitando ensandecidamente com gargalhadas extraordinárias)
e se não gostou vai entrar na porrada!!!!
vamos, levante moribundo! em marcha, ande!
(shhcleck - chicote açoitando)
ande logo, carregue seu fardo, e agradeça por estar leve demais.
(shhcleck - chicote açoitando)
e agradeça por estar vivo.
(shhcleck - chicote açoitando)
e agradeça por ter o que tens.
(shhcleck - chicote açoitando)
e agradeça pela saúde que tens.
(shhcleck - chicote açoitando)
e agradeça pelos poucos e preciosos amigos que tens.
(shhcleck - chicote açoitando)
e agradeça pela família que tens.
(shhcleck - chicote açoitando)
e agradeça pela incrível capacidade de conseguir hoje enxergar as cores nesse dia completamente cinza.
(shhhhhhhhhcleckssssssssssss - múltiplos chicotes açoitando ensandecidamente com gargalhadas extraordinárias)
e se não gostou vai entrar na porrada!!!!
Ser humano
A questão "O que é o ser humano?" é A pergunta por exelência. A maior e única pergunta filosófica autêntica, a que realmente importa ser feita. Quem sou eu? O que é o ser humano? Qualquer indagação filosófica que não concerna esta pergunta não me interessa. É óbvio que não darei a resposta. Mas ainda assim, tecerei algumas considerações.
O que define o ser humano? O que seria o Ser do ser humano? Animal racional? Animal político? Homo sapiens? Acho que a definição menos pior é homo religiosos.
Bem, talvez eu não devesse tratar deste tema como uma dissertação, um tratado filosófico. Talvez, o melhor seria falar livremente sobre o que me vem a mente quando penso nestas palavras: SER HUMANO. O que acho que estou querendo dizer é: Não espere aqui uma definição, mas uma divagação. Sem mais delongas, vejamos.
Poderia começar analisando históricamente o ser humano, mas não acredito que esta seja a melhor abordagem. Até porque, não quero adentrar nem participar do ponto de vista científico desta pergunta, pois a ciência destrói o ser humano. Ela nos faz acreditar que somos animais que evoluíram do macaco, átomos frutos do mero acaso, seres para a morte e toda esta merda que só traz desespero e frustração, que habitamos um planetinha de merda no meio deste universo gigantesco, etc, etc, etc. Assim, passemos para outra visada.
Não sei qual é a verdadeira natureza do ser humano, mas não quero pensar o que todos querem que eu pense. Tenho uma dúvida que carrego desde que me entendo por ser humano. A pergunta é: Será que eu estou bem configurado? eu explico. Já viram aquele filme Matrix? Pois então. Talvez eu tenha algum erro de configuração, alguma falha na matrix que me impede de viver a vida confortávelmente, como um animal, como um suíno que pode ser considerado feliz quando encontra pasto para comer. Ou então, o ser humano é isso mesmo. Um ser que está sempre divagando, que está sempre se perguntando se não estaria melhor de outro jeito e nunca está satisfeito com o quinhão que lhe cabe. Sócrates uma vez afirmou que uma vida sem indagações não vale a pena ser vivida. Será? Talvez, se ele estiver certo, minha vida vale a pena, pois o que mais faço na vida é me indagar. Indagar se o que faco tem algum sentido, se estou vivendo minha vida plenamente, se estou acordado ou dormindo... Enfim...não é a toa que me formei em filosofia. Mas voltando, talvez eu esteja mal configurado. Um professor de Filosofia uma vez disse que os filósofos tem algum defeito genético que faz com que eles fiquem vendo problemas gigantescos onde a maioria das pessoas não vêem nenhum. É uma boa explicação.
Mas o problema continua. O que é o ser humano? Se eu estiver certo, e Sócrates errado (pretensão? Foda-se, o filósofo aqui sou eu porra), a verdadeira natureza do ser humano é não indagar. Por isso que buda afirmou que o homem comum é quase igual ao sábio. Mas enquanto o homem comum não indaga porque está conformado com sua natureza, não acha nada absurdo estar vivo, como se a vida não fosse espantosa, o sábio por outro lado, sabe o quanto a vida é um milagre mas não é tão estupido a ponto de ficar pensando e se indagando e sempre duvidando se o que vê é ilusão ou não. Ele sabe que tudo é ilusão! E assim, ele percebe que tudo o que vê tem como natureza fundamental a impermanência, mas sabe também que possui uma natureza eterna, em comunhão com Deus.
Acredito que ainda não alcancei minha verdadeira natureza, pois não consigo ver as coisas como elas são. Os objetos, pessoas, enfim, tudo o que vejo está contaminado com minhas crenças, minhas projeções, etc e tal. Tenho o vislumbre de uma natureza essencial do ser humano que transcende tudo o que vejo, como se eu estivesse dormindo ainda. A verdadeira natureza do ser humano é o amor. É a abertura para todos os seres e tudo o que está em sua volta, sem o obstáculo do ego. Neste estado que não sei se é mental ou não, os budistas acreditam em uma não mente, mas enfim. Neste estado, o ser humano percebe que o seu eu nem o de ninguém tem essencia, e se abre para o todo, para Deus. É aí que se pode vislumbrar a verdadeira natureza do ser humano, que é comunhão com o todo, com todos os seres. É aí que se pode amar e compreender a verdade. Mas chega de filosofia. Já me encheu, e talvez já te encheu também, querido leitor. Agora quero falar poeticamente, livremente, sem conceitos ou argumentos dogmáticos ou não. Chega!
...bem...O ser humano é sofrimento. Isso é fato. O ser humano é patético, o ser humano é odiável, o ser humano é paradoxal e contraditório, e por isso, o ser humano é humano. HA! EUREKA! O ser humano é odiável e amável ao mesmo tempo. É luz e sombra. É Deus e Diabo na terra do sol. É noite e chuva. É frio e quente. É bom e mal. É tudo e nada. O ser humano é um conjunto de opostos, é tudo o que os filósofos e religiosos e poetas e escritores e trabalhadores e operários e todas as pessoas já disseram! O ser humano é tudo. Não dá para falar de qualquer coisa sem estar falando do ser humano. Qualquer coisa que eu fale, estará diretamente ou indiretamente ligado ao problema do que é o ser humano. Enfim, eu podia falar sobre qualquer coisa que estaria falando deste tema específico: SER HUMANO! Mas o destino ou o que quer que seja quis que eu falasse tudo o que falei até agora. Agora, cabe a você julgar o que escrevi. Ou não.
O que define o ser humano? O que seria o Ser do ser humano? Animal racional? Animal político? Homo sapiens? Acho que a definição menos pior é homo religiosos.
Bem, talvez eu não devesse tratar deste tema como uma dissertação, um tratado filosófico. Talvez, o melhor seria falar livremente sobre o que me vem a mente quando penso nestas palavras: SER HUMANO. O que acho que estou querendo dizer é: Não espere aqui uma definição, mas uma divagação. Sem mais delongas, vejamos.
Poderia começar analisando históricamente o ser humano, mas não acredito que esta seja a melhor abordagem. Até porque, não quero adentrar nem participar do ponto de vista científico desta pergunta, pois a ciência destrói o ser humano. Ela nos faz acreditar que somos animais que evoluíram do macaco, átomos frutos do mero acaso, seres para a morte e toda esta merda que só traz desespero e frustração, que habitamos um planetinha de merda no meio deste universo gigantesco, etc, etc, etc. Assim, passemos para outra visada.
Não sei qual é a verdadeira natureza do ser humano, mas não quero pensar o que todos querem que eu pense. Tenho uma dúvida que carrego desde que me entendo por ser humano. A pergunta é: Será que eu estou bem configurado? eu explico. Já viram aquele filme Matrix? Pois então. Talvez eu tenha algum erro de configuração, alguma falha na matrix que me impede de viver a vida confortávelmente, como um animal, como um suíno que pode ser considerado feliz quando encontra pasto para comer. Ou então, o ser humano é isso mesmo. Um ser que está sempre divagando, que está sempre se perguntando se não estaria melhor de outro jeito e nunca está satisfeito com o quinhão que lhe cabe. Sócrates uma vez afirmou que uma vida sem indagações não vale a pena ser vivida. Será? Talvez, se ele estiver certo, minha vida vale a pena, pois o que mais faço na vida é me indagar. Indagar se o que faco tem algum sentido, se estou vivendo minha vida plenamente, se estou acordado ou dormindo... Enfim...não é a toa que me formei em filosofia. Mas voltando, talvez eu esteja mal configurado. Um professor de Filosofia uma vez disse que os filósofos tem algum defeito genético que faz com que eles fiquem vendo problemas gigantescos onde a maioria das pessoas não vêem nenhum. É uma boa explicação.
Mas o problema continua. O que é o ser humano? Se eu estiver certo, e Sócrates errado (pretensão? Foda-se, o filósofo aqui sou eu porra), a verdadeira natureza do ser humano é não indagar. Por isso que buda afirmou que o homem comum é quase igual ao sábio. Mas enquanto o homem comum não indaga porque está conformado com sua natureza, não acha nada absurdo estar vivo, como se a vida não fosse espantosa, o sábio por outro lado, sabe o quanto a vida é um milagre mas não é tão estupido a ponto de ficar pensando e se indagando e sempre duvidando se o que vê é ilusão ou não. Ele sabe que tudo é ilusão! E assim, ele percebe que tudo o que vê tem como natureza fundamental a impermanência, mas sabe também que possui uma natureza eterna, em comunhão com Deus.
Acredito que ainda não alcancei minha verdadeira natureza, pois não consigo ver as coisas como elas são. Os objetos, pessoas, enfim, tudo o que vejo está contaminado com minhas crenças, minhas projeções, etc e tal. Tenho o vislumbre de uma natureza essencial do ser humano que transcende tudo o que vejo, como se eu estivesse dormindo ainda. A verdadeira natureza do ser humano é o amor. É a abertura para todos os seres e tudo o que está em sua volta, sem o obstáculo do ego. Neste estado que não sei se é mental ou não, os budistas acreditam em uma não mente, mas enfim. Neste estado, o ser humano percebe que o seu eu nem o de ninguém tem essencia, e se abre para o todo, para Deus. É aí que se pode vislumbrar a verdadeira natureza do ser humano, que é comunhão com o todo, com todos os seres. É aí que se pode amar e compreender a verdade. Mas chega de filosofia. Já me encheu, e talvez já te encheu também, querido leitor. Agora quero falar poeticamente, livremente, sem conceitos ou argumentos dogmáticos ou não. Chega!
...bem...O ser humano é sofrimento. Isso é fato. O ser humano é patético, o ser humano é odiável, o ser humano é paradoxal e contraditório, e por isso, o ser humano é humano. HA! EUREKA! O ser humano é odiável e amável ao mesmo tempo. É luz e sombra. É Deus e Diabo na terra do sol. É noite e chuva. É frio e quente. É bom e mal. É tudo e nada. O ser humano é um conjunto de opostos, é tudo o que os filósofos e religiosos e poetas e escritores e trabalhadores e operários e todas as pessoas já disseram! O ser humano é tudo. Não dá para falar de qualquer coisa sem estar falando do ser humano. Qualquer coisa que eu fale, estará diretamente ou indiretamente ligado ao problema do que é o ser humano. Enfim, eu podia falar sobre qualquer coisa que estaria falando deste tema específico: SER HUMANO! Mas o destino ou o que quer que seja quis que eu falasse tudo o que falei até agora. Agora, cabe a você julgar o que escrevi. Ou não.
segunda-feira, agosto 29, 2005
ser humano
enquanto vida, permaneço inerte enquanto espírito. vejo milhões de pessoas no metrô que nunca mais verei de novo. e todos com suores e preocupações em suas testas. bípedes destruindo sem dó. vivendo o imediato. o instante já! vrummmmmmmmmm e meu carro a gasolina queimou fósseis de milhões de anos. scraaaashhhhhhh e meu casaco de pele escalpelou 509 chinchilas vivas, mas que se foda! a esposa do anfitrião da festa vai babar de inveja. e sorrisos! e viva a revista caras! caras e bocas e bundas! sim as bundas! somos uma sociedade culturalmente viciada em bundas. mas não é da bunda que vem o amor. não é só a bunda que te dá tesão! mas vamos: em marcha! todos os dias levantando peso. esculturando corpos. inutilizando cérebros. matando raciocínios. que isso ... vamos viver! mas enquanto vida, (continuo falando para ninguem ouvir) continuo inerte enquanto espírito. ahhhhhhhhh!!!!!! digamos então qual a solução: amar!!!! amar a quem? a minha imagem no espelho? ao mendigo na rua pedindo esmola? a deus? jesus? ou simplesmente amar ... encho os pulmões e digo em alto e bom som que somente meu silêncio escutará: Amor! e digo pra dentro: tão pra dentro que acaba implodindo como um big-bang. não foi o amor o início de tudo? e também o seu fim? não quero a resposta. quero o silêncio que vem depois das perguntas (obrigado clarice lispector). à reflexão! isso! reflito a minha imagem no lago e pergunto: para onde evoluímos? fiquei por milênios correndo atrás de meu próprio rabo e não consegui até agora ser realmente humano: viver com o universo inteiro dia após dia dentro de si! isso é ser humano. conseguir matar estrelas, vê-las sendo sugadas por um buraco negro e nada poder fazer ... admirá-las surgindo, nascendo, se multiplicando e se apagando. e aqui nessa partícula cósmica damos demasiada importância a nós mesmos. nos privamos de sermos felizes com pouco pois no fundo no fundo, o que importa? somos pequeninas microscópicas partículazinhas num vasto universo de acende apaga. agora está aceso. depois, apagou. aí então enquanto vida serei livre enquanto espírito.
quinta-feira, agosto 18, 2005
Orgulho de ser humano
VIVA A RAÇA HUMANA !!! VIVA A TECNOLOGIA !!!! VIVA A EDUCAÇÃO !!!!! VIVA A CIÊNCIA !!!!! VIVA A EVOLUÇÃO DO CAPITAL HUMANO !!!!
http://www.strasbourgcurieux.com/fourrure/portugues.php
http://www.strasbourgcurieux.com/fourrure/portugues.php
segunda-feira, agosto 15, 2005
O grito
Kurosawa está acumulando energia para a grande virada, para o momento do grande GRITO!... Um grito que se parece com um alimento que ele mesmo ingeriu para não fazer desfeita e não desagradar o "anfitrião", ainda que soubesse que, mais cedo ou mais tarde, lhe daria indigestão. Mas o alimento nunca foi digerido, está tomando forma em seu estômago, esperando o momento do vômito iminente que virá, certamente virá. Mas quando? Talvez quando não aguentar mais, pois sempre fez de tudo para evitar a dor que sente ao vomitar, ele odeia vomitar, venderia sua alma ao diabo para não o fazer, mas no fundo, sabe que não iria entregá-la no final. Ele espera. Espera e se concentra, para não sucumbir às reviravoltas do estômago. Respira fundo. Fica quietinho, olhando para o horizonte. A dor do vômito é horrível, mas o pior é o hesitar, a espera, "como se" pudesse evitar a catástrofe. - Deve haver outro jeito...
Não há. O jeito é vomitar. Ele SABE que tudo melhora depois, mas mesmo assim, ele espera. Espera a hora certa, onde o estômago expulsa a comida com grande energia e não deixa alternativa, a não ser vomitar. Não há muita energia ainda.
Mas ela virá.
Não há. O jeito é vomitar. Ele SABE que tudo melhora depois, mas mesmo assim, ele espera. Espera a hora certa, onde o estômago expulsa a comida com grande energia e não deixa alternativa, a não ser vomitar. Não há muita energia ainda.
Mas ela virá.
sexta-feira, agosto 12, 2005
Soul Sol
kurosawa não sabe o que fazer. não sabe se viaja. não sabe se fica. não sabe se trabalha. não sabe se não trabalha. não sabe se sabe ou se não sabe. está numa situação confortável para olhos de fora. mas só com seus próprios olhos poderíamos ver o que seu coração sente.
- ah ele é um um "bon vivant"! - dizem uns. outros dizem: "ele tem aquele olhar blasê. despreza tudo e todos". outros até dizem: - "é antipático!".
por trás daqueles verdes olhos supostamente perdidos poucos conseguem enxergar a profundidade do mar sem fim. um desbravador dos abismos dos sete mares.
"Há mais mistérios entre o céu e o mar do que pode imaginar a nossa vã filosofia" e lá vai o nosso mergulhador pronto a desbravar esses mistérios. ele sabe! sim ele sabe o que quer! tem absoluta certeza do que quer! mas teme. o temor toma conta dele e amedrontado ele volta para o sótão. lá naquele sótão sombrio ele fica fazendo companhia aos fantasmas jogando xadrez ou ouvindo seus lamentos. vez ou outra os habitantes da casa passam comida por baixo da porta. outras vezes um livro. as vezes durante a noite escutam soluços e pela manhã escada abaixo lágrimas escorrem. ele sempre espera a hora em que seu pai vai chamá-lo para pescar. mas do sotão ele sempre vê pela janela seu pai pescando sozinho. no sótão virou mestre nas artes da telepatia, adivinhação e da compreensão mas acabou por apagar seu coração. um dia cansado da escuridão e não suportando mais o frio ele abriu a janela, e usando a técnica que aprendeu sozinho em livros de yoga de encher os pulmões, os encheu com todo o átma e ar que conseguiu captar e berrou para todos escutar, inclusive seu pai que lá estava no barco no meio do rio: "de hoje em diante não me chamem mais de mergulhador das profundezas! cansei de viver na escuridão! não vim aqui para ficar conversando com fantasmas e vampiros! vim aqui para iluminar a todos e me alimentar com minha própria luz! de hoje em diante sou hélio: o gás nobre! de hoje em diante me chamem de hélio: o deus sol!".
- ah ele é um um "bon vivant"! - dizem uns. outros dizem: "ele tem aquele olhar blasê. despreza tudo e todos". outros até dizem: - "é antipático!".
por trás daqueles verdes olhos supostamente perdidos poucos conseguem enxergar a profundidade do mar sem fim. um desbravador dos abismos dos sete mares.
"Há mais mistérios entre o céu e o mar do que pode imaginar a nossa vã filosofia" e lá vai o nosso mergulhador pronto a desbravar esses mistérios. ele sabe! sim ele sabe o que quer! tem absoluta certeza do que quer! mas teme. o temor toma conta dele e amedrontado ele volta para o sótão. lá naquele sótão sombrio ele fica fazendo companhia aos fantasmas jogando xadrez ou ouvindo seus lamentos. vez ou outra os habitantes da casa passam comida por baixo da porta. outras vezes um livro. as vezes durante a noite escutam soluços e pela manhã escada abaixo lágrimas escorrem. ele sempre espera a hora em que seu pai vai chamá-lo para pescar. mas do sotão ele sempre vê pela janela seu pai pescando sozinho. no sótão virou mestre nas artes da telepatia, adivinhação e da compreensão mas acabou por apagar seu coração. um dia cansado da escuridão e não suportando mais o frio ele abriu a janela, e usando a técnica que aprendeu sozinho em livros de yoga de encher os pulmões, os encheu com todo o átma e ar que conseguiu captar e berrou para todos escutar, inclusive seu pai que lá estava no barco no meio do rio: "de hoje em diante não me chamem mais de mergulhador das profundezas! cansei de viver na escuridão! não vim aqui para ficar conversando com fantasmas e vampiros! vim aqui para iluminar a todos e me alimentar com minha própria luz! de hoje em diante sou hélio: o gás nobre! de hoje em diante me chamem de hélio: o deus sol!".
terça-feira, agosto 09, 2005
caçador de raras borboletas
outro dia pensei e sempre penso: as pessoas andando no centro da cidade conseguem por entre os prédios enxergar o céu azul?
um dia andando pela cinelândia com um cara do meu trabalho vimos um camelô vendendo uns óculos e paramos para dar uma olhada neles. ficamos brincando experimentando uns óculos abelhões rosas mas não gostei de nenhum. brincamos com o cara e depois falamos "desculpe pelas brincadeiras e obrigado, mas tamo sem grana" e ele respondeu: "é tudo nosso!".
eu parei.
pancadão.
fiquei em estado autista por alguns momentos pelo centro da cidade. jamais esperaria de uma simples caminhada para comer um salgado pelo centro da cidade ser bombardeado por uma frase de tamanha profundidade. passei a ver todos os paletós e todas as madames e todos os carros e todos os bancos e toda matéria como sendo poeira a ser levada pelo vento. a frase "tudo que é sólido desmancha no ar" me veio a cabeça tao quao uma verdade incontestável. um axioma inquestionável! FIAT LUX! me achei um merda mesquinho. e fiquei até agora impressionado com a sabedoria implícita naquela simples frase dita por um humilde vendedor de óculos. o cara disse tudo e ainda bem que consegui escutar naquela frase sabedorias milenares budistas e marxistas. ainda bem que eu estava aberto e vivo! e poderia ter passado despercebido mas não passou! captei aquela mensagem no ar como um caçador de borboletas raras perdidas na selva de pedra.
um dia andando pela cinelândia com um cara do meu trabalho vimos um camelô vendendo uns óculos e paramos para dar uma olhada neles. ficamos brincando experimentando uns óculos abelhões rosas mas não gostei de nenhum. brincamos com o cara e depois falamos "desculpe pelas brincadeiras e obrigado, mas tamo sem grana" e ele respondeu: "é tudo nosso!".
eu parei.
pancadão.
fiquei em estado autista por alguns momentos pelo centro da cidade. jamais esperaria de uma simples caminhada para comer um salgado pelo centro da cidade ser bombardeado por uma frase de tamanha profundidade. passei a ver todos os paletós e todas as madames e todos os carros e todos os bancos e toda matéria como sendo poeira a ser levada pelo vento. a frase "tudo que é sólido desmancha no ar" me veio a cabeça tao quao uma verdade incontestável. um axioma inquestionável! FIAT LUX! me achei um merda mesquinho. e fiquei até agora impressionado com a sabedoria implícita naquela simples frase dita por um humilde vendedor de óculos. o cara disse tudo e ainda bem que consegui escutar naquela frase sabedorias milenares budistas e marxistas. ainda bem que eu estava aberto e vivo! e poderia ter passado despercebido mas não passou! captei aquela mensagem no ar como um caçador de borboletas raras perdidas na selva de pedra.
sexta-feira, agosto 05, 2005
Reflexo
Devo mergulhar mais fundo? Não havendo qualquer tipo de reação, tentemos outra vez.
Nosso protagonista, que andava meio grilado, logo retoma o rumo de sua vida, e não presta mais tanta atenção aos grilos. Agora ele vive sua vida um dia de cada vez, e todo dia vai dormir quase em paz. Os grilos já não cantam mais tão alto. A vida passa e todo interior está frio e cinzento. Apaziguado. Um silêncio calmo reverbera pelos cantos de sua casa e nosso protagonista decide voltar ao quarto do cotidiano, o único cômodo da casa que contém espelhos. Espelhos que refletem sua imagem, sua alma, suas fechaduras e respectivas chaves. Mas ao invés de uma só imagem, para ele, cada espelho parece refletir diferentes faces de si mesmo, reflexos tão reais e diversos, que nosso protagonista chega ao ponto de achar que se trata de outras pessoas, e não dele mesmo. Em um dos espelhos, nosso protagonista vê seu pai, no outro, sua mãe, e por aí vai...padrasto, amigos, mulheres de sua vida, monstros, anjos, santos e deuses. Ele fica tanto tempo no quarto, que começa a se relacionar com as imagens, acreditando serem entes reais (isso porque ele ainda acredita que aparência e realidade são coisas completamente diferentes, e não sabe que o virtual é tão real quanto a realidade). Logo se esquece que todos os espelhos refletem somente a si mesmo e passa assim a julgar, discordar, ignorar e dissociar de si mesmo os reflexos que não lhe agradam. Assim, separa seu eu do resto do mundo e fica só. Mas ainda assim, ele tenta de todas as maneiras se relacionar, manter seus relacionamentos controlados e agradáveis, mas invariavelmente falha. E volta a ficar só. Assim ele vai, até chegar ao ponto de desistir e ficar sozinho. - Chega! Não aguento mais essas pessoas que só me fazem mal. Vou ficar sozinho, não é essa a natureza última do ser humano? Assim, nosso protagonista fica só. Mas a história não acaba por aí. Em um dado momento, depois de passar por toda a solidão, ele fica com sede de amor e decide entrar no poço escuro que se encontra no meio do quarto do cotidiano a procura de água que saceie toda sua sede. Em sua determinação, ele pula sem pensar e vai de cabeça no fundo do poço e desmaia. Ao acordar, se dá conta de que a água está quase acabando, e no reflexo da água, vê novamente seu reflexo. O poço está quase seco, de tantas vezes que foi lá retirar água. Assim, nosso protagonista resolve escalar de volta. Ele chega no topo rapidamente e se vê de novo no quarto do cotidiano. Ao se voltar novamente para os espelhos, lembra-se que aquelas imagens refletem unicamente a si mesmo. E sorri. Sorri para todas as imagens e, consequentemente, para si mesmo. E faz as pazes com todos os aspectos de seu próprio ser. Ele enfim se dá conta que, no fundo, só há relacionamentos consigo mesmo, e passa a dar valor ao que é refletido, mas somente como sendo parte de si mesmo. Finalmente se dá conta de que todo reflexo apenas projeta sua própria imagem, e que deve se relacionar, não tanto com as pessoas, mas com o que elas despertam em si.
Assim como o quarto de espelhos, este texto, e todos os outros, são uma projeção, não da vida de nosso protagonista ou qualquer outro leitor, mas de quem o escreve, e assim, não há porque se relacionar com o texto, mas com o que é despertado em sí.
Nosso protagonista, que andava meio grilado, logo retoma o rumo de sua vida, e não presta mais tanta atenção aos grilos. Agora ele vive sua vida um dia de cada vez, e todo dia vai dormir quase em paz. Os grilos já não cantam mais tão alto. A vida passa e todo interior está frio e cinzento. Apaziguado. Um silêncio calmo reverbera pelos cantos de sua casa e nosso protagonista decide voltar ao quarto do cotidiano, o único cômodo da casa que contém espelhos. Espelhos que refletem sua imagem, sua alma, suas fechaduras e respectivas chaves. Mas ao invés de uma só imagem, para ele, cada espelho parece refletir diferentes faces de si mesmo, reflexos tão reais e diversos, que nosso protagonista chega ao ponto de achar que se trata de outras pessoas, e não dele mesmo. Em um dos espelhos, nosso protagonista vê seu pai, no outro, sua mãe, e por aí vai...padrasto, amigos, mulheres de sua vida, monstros, anjos, santos e deuses. Ele fica tanto tempo no quarto, que começa a se relacionar com as imagens, acreditando serem entes reais (isso porque ele ainda acredita que aparência e realidade são coisas completamente diferentes, e não sabe que o virtual é tão real quanto a realidade). Logo se esquece que todos os espelhos refletem somente a si mesmo e passa assim a julgar, discordar, ignorar e dissociar de si mesmo os reflexos que não lhe agradam. Assim, separa seu eu do resto do mundo e fica só. Mas ainda assim, ele tenta de todas as maneiras se relacionar, manter seus relacionamentos controlados e agradáveis, mas invariavelmente falha. E volta a ficar só. Assim ele vai, até chegar ao ponto de desistir e ficar sozinho. - Chega! Não aguento mais essas pessoas que só me fazem mal. Vou ficar sozinho, não é essa a natureza última do ser humano? Assim, nosso protagonista fica só. Mas a história não acaba por aí. Em um dado momento, depois de passar por toda a solidão, ele fica com sede de amor e decide entrar no poço escuro que se encontra no meio do quarto do cotidiano a procura de água que saceie toda sua sede. Em sua determinação, ele pula sem pensar e vai de cabeça no fundo do poço e desmaia. Ao acordar, se dá conta de que a água está quase acabando, e no reflexo da água, vê novamente seu reflexo. O poço está quase seco, de tantas vezes que foi lá retirar água. Assim, nosso protagonista resolve escalar de volta. Ele chega no topo rapidamente e se vê de novo no quarto do cotidiano. Ao se voltar novamente para os espelhos, lembra-se que aquelas imagens refletem unicamente a si mesmo. E sorri. Sorri para todas as imagens e, consequentemente, para si mesmo. E faz as pazes com todos os aspectos de seu próprio ser. Ele enfim se dá conta que, no fundo, só há relacionamentos consigo mesmo, e passa a dar valor ao que é refletido, mas somente como sendo parte de si mesmo. Finalmente se dá conta de que todo reflexo apenas projeta sua própria imagem, e que deve se relacionar, não tanto com as pessoas, mas com o que elas despertam em si.
Assim como o quarto de espelhos, este texto, e todos os outros, são uma projeção, não da vida de nosso protagonista ou qualquer outro leitor, mas de quem o escreve, e assim, não há porque se relacionar com o texto, mas com o que é despertado em sí.
sábado, julho 30, 2005
Os grilos
Gabriel anda muito grilado. Ultimamente, os grilos (que passaram a habitar sua casa desde que se mudou) têm cantado estridentemente. Já não são mais os grilos de antigamente, mas novos grilos. - Preciso fazer silêncio- pensa Gabriel, - para que eu possa ouvir suas melodias. Eles, os grilos, estão em todos os lugares, na cozinha, na sala, na varanda, no jardim, mas principalmente, os grilos estão reunidos em seu quarto, em sua cama. Deitado na cama, ele faz silêncio para ouví-los. Assim, na casa de Gabriel não há silêncio, pois os grilos não dormem. Sua canções, melodias e harmonias penetram em seus sonhos e não o deixam dormir. Assim, Gabriel vai para as montanhas (pois não há quem aguente ouvir os grilos por muito tempo). Lá não existem grilos. Eles não suportam altura. Perto de Deus, Gabriel encontra o silêncio verdadeiro e sagrado, e pode então ouvir Deus. O criador também não gosta dos grilos, eles fazem muito barulho, não há quem possa conversar com tanto barulho, e Deus gosta de conversar, mas só o faz no silêncio. Por isso Deus não gosta de raves, boates, bares, igrejas cheias. Deus só frenquenta igrejas vazias. Apesar de estar em todos os lugares, Deus só conversa em ambientes silênciosos. Então ele se revela. Nos faz compreender que não somos o que pensamos que somos, que não ouvimos o que ele nos diz, mas que possui a paciência divina de dizer quantas vezes forem necessárias. Afinal, um bilhão de anos terrestres parecem um segundo quando se está na eternidade. Ele nos diz que a vida é, e ponto final. O único sentido íntimo das coisas é o fato delas não terem sentido nenhum,elas apenas são. E assim, Deus cita Fernando Pessoa. Deus, além do silêncio, também gosta de poesia. Ele também diz que o silêncio mais precioso é o que está dentro de nós, pois é só quando estamos em silêncio que podemos ouvir o mundo como ele é, sem ruídos ou distorções. Afinal, Deus teve muito trabalho criando o mundo, e fazendo silêncio podemos contemplar e reverenciar a obra divina. É só isso que ele pede de nós, que desfrutemos de tudo o que ele, nosso único pai, nos deixou. Mas uma hora Gabriel precisa voltar pra casa. Após ter subido ao reino dos céus, todo herói precisa voltar e dizer para todos o que aprendeu. Assim foi com Jesus, Buda e todos os verdadeiros heróis. O caminho de volta está sempre esperando. Gabriel enfim chega em casa e pensa no próximo dia de escalada, pois às vezes, e isso não é bom nem ruim, precisamos repetir algumas coisas para que possamos compreendê-las. Lar doce lar, os grilos dão boas vindas ao recém chegado e mal podem esperar para cantar, pois Gabriel é o único que dá ouvido a eles. Mas naquele dia, Gabriel não quer ouví-los. Ele pede desculpas e agracede a todos, mas hoje quer ficar sozinho. É claro que os grilos ficam magoados, tentam convencê-lo, mas Gabriel está determinado. A determinação é uma de suas grandes qualidades. Finalmente, os grilos aceitam, um pouco chateados é verdade, mas no fundo respeitam sua decisão e vão para suas camas, hoje em silêncio, mas aguardando o dia seguinte, onde poderão cantar e cantar, pois é o que mais gostam de fazer. Naquele dia Gabriel dorme como há muito tempo não dormia, um sono sem sonhos. Finalmente consegue dormir de verdade. Porém, antes de dormir, Gabriel decide que a partir de hoje, não prestará mais tanta atencão aos grilos, por mais que suas melodias sejam belas, sim, elas são belas. E mesmo sabendo que ficarão chateados, Gabriel permanece firme em sua decisão, pois enfim compreendeu que o silêncio é o único meio para que Deus se manifeste. E as melodias divinas são muito mais bonitas.
sexta-feira, julho 29, 2005
Pior impossível
arrumando a casa encontrei uma caixa e nela entrei. cai em um buraco que pensei não ter mais fim. cai, cai, cai. e então cheguei enfim ao chão. no limite da (in)suportabilidade do meu ser. daqui não tem mais como descer. pior do que estou não tem mais como ficar. pior impossível: uma frase que me veio hoje pela manhã a cabeça e que à primeira vista me pareceu horrível. mas não, ela me trouxe depois foi alívio.
alívio?
agora está na hora de subir.
alívio?
agora está na hora de subir.
quarta-feira, julho 27, 2005
Sutileza
O mais importante é o que é mais sutil. O mais inefável, o menos racional. Quanta ignorância tecno-ciência da puta que pariu. A ciência trabalha, trabalha, disseca, disseca,destrói, focaliza, desfocaliza, fragmenta, desfragmenta, mas no fim, permanece parada, no mesmo lugar. A ciência não se dá conta do ponto-cego, esquece e precisa esquecer do mais fundamental,caso contrário ela pára. Pára e fica em crise. Não entra nem mesmo no laboratório. Continua objetivando constantemente, objetivando, objetivando, objetivando...Pára!!!CHEGA! Preenchendo os espaços em branco que continuam a querer se multiplicar exponencialmente. A ciência trabalha com a ignorância, pois sem ignorância não há conhecimento. Mas o importante não é o conhecimento, como já diria Kant, que por sua vez, se esquece da sabedoria. Quando vamos aprender a ser como diógenes, e relaxar finalmente. Não há mundos a se conquistar, já estamos no paraíso, tudo é, abundantemente. Já temos tudo o que precisamos. Chega de informação! Agora é a hora de sentir, de fazer a volta completa para nós mesmos onde tudo faz sentido.
Heráclito
...E de repente, como que por um milagre, compreendeu o fluxo constante da vida. Por um instante se libertou da engrenagem incessante de pensamentos, da maquina mental que não pára de trabalhar e que acompanha a vida de todo ser humano. Pôde ver de fora o espetáculo do mundo, se transformou em espectador da própria vida. Finalmente acordou deste sonho ruim e se sentiu aliviado e confortável diante da falta de segurança da vida, da impermanência de todas as coisas inclusive de si mesmo, estava livre do pesadelo infinito que sua vida tinha se transformado. Ele estava desperto.
A terceira margem do rio é onde sempre estamos. Não há porto seguro para nós. Terra firme é estagnação. A vida é agora, no eterno presente, no presente sem duração. Viva!
A terceira margem do rio é onde sempre estamos. Não há porto seguro para nós. Terra firme é estagnação. A vida é agora, no eterno presente, no presente sem duração. Viva!
sexta-feira, julho 22, 2005
Homem
Um diálogo entre o homem e Deus:
Deus - Você busca o sentido da vida?
Homem - Sim
Deus - Eu te dei a chance, a oportunidade e a livre escolha e vc fica ai parado deitado buscando um sentido?
Homem - mas ... é que ... sabe
Deus - Te dei o amor, o tesão, o caminho, o buraco, a pedra, o soluço, as lágrimas e o sorrir. Te fiz de herói e te derrotei. Te fiz ladrão e salvador! Te dei olhos na terra dos cegos e sabedoria à lobotomia!
Homem - hã? ...(olhos arregalados)
Deus - Te dei os rios e as matas. Os céus e as montanhas. O mar e a lua. E vc corre atrás de um trem que não vai a lugar algum.
Homem - ...(olhos esbugalhados)
Deus - do mar fazes podridão. dos animais, extinção. do sofrer, escravidão. e vc quer um sentido? qual o sentido que você dá a sua vida?
Homem - ...
De repente, Deus começa a chorar e compreende que o homem está profundamente magoado.
Deus - Você busca o sentido da vida?
Homem - Sim
Deus - Eu te dei a chance, a oportunidade e a livre escolha e vc fica ai parado deitado buscando um sentido?
Homem - mas ... é que ... sabe
Deus - Te dei o amor, o tesão, o caminho, o buraco, a pedra, o soluço, as lágrimas e o sorrir. Te fiz de herói e te derrotei. Te fiz ladrão e salvador! Te dei olhos na terra dos cegos e sabedoria à lobotomia!
Homem - hã? ...(olhos arregalados)
Deus - Te dei os rios e as matas. Os céus e as montanhas. O mar e a lua. E vc corre atrás de um trem que não vai a lugar algum.
Homem - ...(olhos esbugalhados)
Deus - do mar fazes podridão. dos animais, extinção. do sofrer, escravidão. e vc quer um sentido? qual o sentido que você dá a sua vida?
Homem - ...
De repente, Deus começa a chorar e compreende que o homem está profundamente magoado.
Deus
Um diálogo entre Deus e o homem:
Homem - Deus, qual é o sentido da vida?
Deus - Sentido? Não basta a própria vida?
Homem - Mas Deus, tem que ter um sentido, uma missão!
Deus - Missão? Como assim cara?
Homem - O que eu estou fazendo aqui? Porque a existência e não o nada?
Deus - ...
Homem - Deus? Tá me ouvindo?
Deus - ...Estou sim meu filho.
Homem - E então? Não vai responder?
Deus - ...
Homem - O que acontece? Você não sabe?
Deus - ...
De repente, o Homem começa a chorar e compreende que Deus está profundamente magoado.
Homem - Deus, qual é o sentido da vida?
Deus - Sentido? Não basta a própria vida?
Homem - Mas Deus, tem que ter um sentido, uma missão!
Deus - Missão? Como assim cara?
Homem - O que eu estou fazendo aqui? Porque a existência e não o nada?
Deus - ...
Homem - Deus? Tá me ouvindo?
Deus - ...Estou sim meu filho.
Homem - E então? Não vai responder?
Deus - ...
Homem - O que acontece? Você não sabe?
Deus - ...
De repente, o Homem começa a chorar e compreende que Deus está profundamente magoado.
sexta-feira, junho 17, 2005
Penso, logo...
Sou feliz, feliz de contemplar o milagre da vida, a criação de Deus, sim, Deus, por que há um Deus, misteriosamente, há um Deus. O contemplar da ordenação do mundo, de um sorrizo inocente, de uma pessoa feliz, de um dia bonito, de um elogio feito na hora certa, tudo na hora exata. Estou feliz por ter enxergado a harmonia que há frente à todo o caos ilusório que perpassa pela cidade mutante. A razão é linda, feliz aquele que usa sua razão em conformidade com o coração, por que este pode ver o quanto tudo está certo do jeito que está. Está tudo maravilhosamente certo. Talvez eu seja um alienado, como assim está tudo certo? Guerras, violência, horror o tempo todo...Mas ainda sim, afirmo a vida como ela é...não podia ser diferente meu Deus, a razão está sempre nos tirando da realidade como ela é, ao invés de ser um instrumento para contemplar a natureza em sua totalidade e sua completa manifestação multipla infinita. Afirmar a violência, afirmar aquela pessoa de quem você nutre o mais forte ódio, sim, afirme aquela pessoa...não é um pensamento infantil, mas a mais pura sabedoria. A sabedoria de harmonizar sua razão com o que é, aceitar tudo o que é como é. Como se tudo o que acontece em sua vida, por mais horrível que possa parecer, é exatamente o que você quer, como você quer. Assim, vive-se bem. E isso caro leitor, não é conformismo, alienação ou estupidez, mas a mais simples sabedoria, que te faz sorrir singelamente toda hora, e vive conforme a vontade de Deus. Amém.
sábado, junho 11, 2005
vassoura
na verdade tudo é uma fuga. isso aqui é uma fuga. escalar é uma fuga. beber é uma fuga. querer escrever bonitinho é uma fuga. tudo é uma fuga para esconder o que realmente importa: o meu problema com a familia, o meu problema com as mulheres, o meu problema com as ex-mulheres, o meu problema anti-social, o meu problema com o trabalho, o meu problema com as drogas, o meu problema com o mundo, o meu pequenino problema existencial burguês. bah! no momento enchi o saco disso aqui. tenho problemas serios para resolver dentro de mim. nao aguento mais fugir de mim mesmo. chegou a grande hora.
nada mais de abismos.
nada mais de garrafinhas patéticas de SOS.
nada mais de gritinhos histéricos infantis.
tenho que arrumar a casa. ela ficou muito tempo desarrumada.
nada mais de abismos.
nada mais de garrafinhas patéticas de SOS.
nada mais de gritinhos histéricos infantis.
tenho que arrumar a casa. ela ficou muito tempo desarrumada.
sexta-feira, junho 10, 2005
grito
sim,
quero que o grito de minha garganta
saia arranhado
quero que o grito de minha garganta
saia desgarrado
quero que o grito de minha garganta
saia escarrado
e que meus proprios
ouvidos escutem
e essa luz ofuscante,
me derreta!
me molde!
me alimente!
e o grito de minha garganta
então, saia iluminado
quero que o grito de minha garganta
saia arranhado
quero que o grito de minha garganta
saia desgarrado
quero que o grito de minha garganta
saia escarrado
e que meus proprios
ouvidos escutem
e essa luz ofuscante,
me derreta!
me molde!
me alimente!
e o grito de minha garganta
então, saia iluminado
quinta-feira, junho 09, 2005
Melhor impossível
Quero estar exatamente onde estou. Faço exatamente o que quero, na hora que quero, como quero. Não faço nada por necessidade. Nunca. Nada é necessário. Tudo é exatamente como você quer. Se estás onde está, é por que quer. Quer estar exatamente aí, fazendo exatamente o que está fazendo. Não há ninguém nem nada que possamos culpar, somente a nós mesmos. Não existe essa coisa de não conseguir. Existe o não querer. Ou querer outra coisa. Se não conseguiu trepar com aquela garota, é por que não quis. Se está deprimido, é por que você quer. Se não consegue realizar seu grande sonho, é por que não quer. Por que quer outra coisa. Teu pensamento te engana. Você acha que quer algo, mas no fundo, não quer. Teu corpo sabe mais do que teu pensamento. Por isso, ele te importuna tanto. Te faz sentir dor, angústia, culpa. O que você acha que quer, quem você acha que ama, isso é teu ego falando. Não é você. Nada é necessário. Até respirar, respiras por que quer. Tudo o que você faz é por que você quer e ponto final. Pense nisso.
quarta-feira, junho 08, 2005
Para que?
Para que escrevo? Não é uma necessidade. É uma vontade. Tudo é vontade. Nada é necessidade. Não preciso fazer nada. NADA! Escrevo por que quero me descobrir, embora não há nada que esteja coberto. Escrevo para enganar meus pensamentos, como um hacker. Escrevo para descobrir os furos no sistema da minha própria estrutura racional. Escrevo por que não acredito nos meus pensamentos. Escrevo por desconfiança. Escrever é conversar comigo mesmo, embora haja interlocutores que leiam o que escrevo. Não escrevo para você. Escrevo para Deus numa tentativa de receber um sinal divino por detrás de minhas palavras. Em quem confiar senão em mim mesmo? Se encontrar Buda pela estrada, mate-o! Escrevo por que sou contraditório. Escrever é uma forma de cristalizar meu pensamento,que é contradição. Para olhar o paradoxo e rir. Rir de como tudo o que penso é negado logo em seguida. Não há fórmulas para se compreender a vida, ela acontece e ponto. A vida fala a todo o instante, embora não prestemos atenção a ela. Por isso, repetimos a mesma coisa tantas vezes, vivemos a mesma coisa tantas vezes. Até que compreendamos o que a vida quer nos dizer.
DEGRAUS
Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros
Não subas aos sótãos - Onde
Os deuses, por trás das suas máscaras
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...
Mario Quintana
DEGRAUS
Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros
Não subas aos sótãos - Onde
Os deuses, por trás das suas máscaras
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...
Mario Quintana
sábado, junho 04, 2005
blogar
é preciso aqui colocar mais um gancho para continuar?
é preciso escrever mais o que pra regorgitar?
essas palavras, palarvas, frases e idéias ficam somente por aqui ou se perpetuam por aí?
escrevemos aqui pra quê? pra desatar o nó da garganta? pra não morrermos de angústia? pra nós mesmos ou para os outros?
é preciso escrever mais o que pra regorgitar?
essas palavras, palarvas, frases e idéias ficam somente por aqui ou se perpetuam por aí?
escrevemos aqui pra quê? pra desatar o nó da garganta? pra não morrermos de angústia? pra nós mesmos ou para os outros?
sexta-feira, maio 27, 2005
poesia artesanal
está tendo na cinelândia uma feira de livros. eu sempre passo por dentro do corredor da feira de livros pensando se por osmose consigo captar os espiritos ali presentes em palavras. um dia antes de entrar no corredor da feira fui abordado por um ser de cabelos encaracolados olhos verde-vermelhos angelicais que me perguntou: "você gosta de poesia ? " eu respondi que sim. ele me mostrou um bilhete-livreto amarelo e dobrado escrito a mão e disse que não conseguiu uma editora para publicar seus poemas e por isso fez essa "maloca" para colocar seus poemas. me pediu uma força e então me (ven)deu sua maloca de palavras.
fiquei lendo no elevador subindo pro trabalho.
fiquei lendo ao ligar o computador.
e do que li, que alias achei muito bom, transcrevo aqui sem a permissão do autor dois poemas, o primeiro foi o que eu mais me identifiquei e o segundo o que eu achei mais belo.
(SEM TITULO)
DESCOBRI QUE ESTAR
TRANQUILO ME ENCOMODA,
PREFIRO A ANGÚSTIA
A REVOLTA
E OS CAMINHOS TORTOS
QUE NÃO LEVAM PARA CASA.
(SEM TITULO)
AMANHECEU MARIA
EU(?)
CONTINUO NOITE
Ah... MARIA
AMANHECEU SOZINHA.
POBRE CORPO ESCULTURAL
SEDENTO DE SEXO E DOR
QUE, CULTIVAS A CAMA LOTADA
E A CASA VAZIA.
Renato Limão em Poesia Maloqueirista
(renato_limao@yahoo.com.br)
valeu limão !!!!!!
fiquei lendo no elevador subindo pro trabalho.
fiquei lendo ao ligar o computador.
e do que li, que alias achei muito bom, transcrevo aqui sem a permissão do autor dois poemas, o primeiro foi o que eu mais me identifiquei e o segundo o que eu achei mais belo.
(SEM TITULO)
DESCOBRI QUE ESTAR
TRANQUILO ME ENCOMODA,
PREFIRO A ANGÚSTIA
A REVOLTA
E OS CAMINHOS TORTOS
QUE NÃO LEVAM PARA CASA.
(SEM TITULO)
AMANHECEU MARIA
EU(?)
CONTINUO NOITE
Ah... MARIA
AMANHECEU SOZINHA.
POBRE CORPO ESCULTURAL
SEDENTO DE SEXO E DOR
QUE, CULTIVAS A CAMA LOTADA
E A CASA VAZIA.
Renato Limão em Poesia Maloqueirista
(renato_limao@yahoo.com.br)
valeu limão !!!!!!
quinta-feira, maio 26, 2005
SOS parte 2
e mais um bilhete de SOS dentro de uma garrafa foi encontrado, e nele estava escrito:
"naveguei por abismos de mares, por navios naufragados e baleias em extinção, até chegar em suas mãos. esse não é um pedido de SOS. é um comunicado. a pessoa que escreveu está numa ilha no meio do atlantico. em uma ilha que não consta nas cartas náuticas. mas que ao mesmo tempo é facilmente encontrada. essa pessoa está a busca. ela não precisa de socorro. e não quer resgate. ela fica correndo ao redor da ilha como um cão correndo atrás de seu próprio rabo. ela está a procura. está procurando a coisa que ela acredita ser a mais dificil de ser encontrada. ela está a busca de si mesma. ai você se pergunta: porque então ela escreveu o bilhete? "
"naveguei por abismos de mares, por navios naufragados e baleias em extinção, até chegar em suas mãos. esse não é um pedido de SOS. é um comunicado. a pessoa que escreveu está numa ilha no meio do atlantico. em uma ilha que não consta nas cartas náuticas. mas que ao mesmo tempo é facilmente encontrada. essa pessoa está a busca. ela não precisa de socorro. e não quer resgate. ela fica correndo ao redor da ilha como um cão correndo atrás de seu próprio rabo. ela está a procura. está procurando a coisa que ela acredita ser a mais dificil de ser encontrada. ela está a busca de si mesma. ai você se pergunta: porque então ela escreveu o bilhete? "
o caçador de abismos
Espero o próximo abismo. Laço uma linha tênue em um frágil graveto ao meu lado e na outra extremidade jogo uma flecha pro outro lado. hummm. tal qual um mestre dos nós, ajusto um pouco a corda. pronto. já está retesada o suficiente para me lançar! atravesso andando lentamente por sobre o desconhecido. sinto mais vontade de me jogar do que continuar andando. pronto. parei no meio. se eu chegar do outro lado terei passado a melhor parte: - o desafio! sim, sou um domador de meus próprios sentimentos desenfreados. agora, somente o medo. o pavor! o horror! e lá embaixo quem sabe?
continuo no meio da corda a balançar...
vislumbro lá embaixo meu pai sem dentes. vejo nessa linha minha salvação. mas não quero continuar. me lembro de um texto do nietzche: "o homem é uma corda atada entre o animal e o além do homem. uma corda sobre um abismo. perigoso olhar para trás. perigoso..." sim, perigoso. mas vivo ainda!
continuo no meio da corda a balançar...
se eu atravessar terei que encontrar outro abismo. uma incansável busca pelo esquecimento de mim mesmo. e aqui encontro com meu eu mais animal. aqui nessa linha encontro uma vida: a preparação, o hesitar, a crise, o medo, a esperança, a vontade, e por fim a glória ou a derrota. bah! não a glória e a derrota que vemos nos filmes de hollywood. a glória como transposição e a derrota como renascimento!
andei mais um pouco...
o fim está próximo. ali, logo ali a flecha: meu impulso vital. lá atrás o frágil graveto: minha melancolia.
hesito em chegar e essa aventura terminar.
hesito em terminar e ter que procurar mais um abismo a transpassar.
mas ficar aqui também me matará de tédio.
tenho que dar mais um passo.
pronto.
mais um fim.
mais um abismo se foi.
ficarei satisfeito até amanhã de manhã quando de novo o vazio tomará conta de mim.
aí,
lá vou eu mais uma vez a procurar
abismos a transpassar.
continuo no meio da corda a balançar...
vislumbro lá embaixo meu pai sem dentes. vejo nessa linha minha salvação. mas não quero continuar. me lembro de um texto do nietzche: "o homem é uma corda atada entre o animal e o além do homem. uma corda sobre um abismo. perigoso olhar para trás. perigoso..." sim, perigoso. mas vivo ainda!
continuo no meio da corda a balançar...
se eu atravessar terei que encontrar outro abismo. uma incansável busca pelo esquecimento de mim mesmo. e aqui encontro com meu eu mais animal. aqui nessa linha encontro uma vida: a preparação, o hesitar, a crise, o medo, a esperança, a vontade, e por fim a glória ou a derrota. bah! não a glória e a derrota que vemos nos filmes de hollywood. a glória como transposição e a derrota como renascimento!
andei mais um pouco...
o fim está próximo. ali, logo ali a flecha: meu impulso vital. lá atrás o frágil graveto: minha melancolia.
hesito em chegar e essa aventura terminar.
hesito em terminar e ter que procurar mais um abismo a transpassar.
mas ficar aqui também me matará de tédio.
tenho que dar mais um passo.
pronto.
mais um fim.
mais um abismo se foi.
ficarei satisfeito até amanhã de manhã quando de novo o vazio tomará conta de mim.
aí,
lá vou eu mais uma vez a procurar
abismos a transpassar.
quarta-feira, maio 18, 2005
Hesitar
Só hesitamos quando estamos prontos. Quando temos tudo o que é necessário para dar o próximo passo, mas na hora, hesitamos. Trememos na base. Quero que TU tremas na base. Pois sei que já estás pronto. Já tens tudo o que precisa. Que falta para ir em direção à tua felicidade? Que mais precisas fazer? Estás a esperar o que? O que?
domingo, maio 15, 2005
Família
Família, o porto seguro de qualquer ser humano. Onde há amor sem limites, onde todos se ajudam, onde o que importa é o bem estar geral. Onde nos sentimos seguros e confortáveis. Onde podemos falar tudo o que vem a nossa cabeça, sem medo de que seja mal interpretado, sem que possamos perder nosso emprego, amizade ou posição. Mas e se não existe nada disso? O que é a família então? Darei assim um exemplo bem particular dessa organização social humana, a minha própria família.
Aqui, se há amor, trata-se de algo raro. Algo que quase nunca se vê. Se há, realmente não duvido, mas é visto como algo a se esconder, no fundo do porão, onde ninguém possa ver, e onde raramente lembramos que existe. O amor é guardado numa caixa lá no fundo, embaixo das caixas que contém tudo o que não tem a menor utilidade. Aqui, o que importa é o bem estar superficial. Se para aqueles que aparecem de vez em quando, e quando aparecem, me tranco no quarto e leio meu jornal, estiver tudo em harmonia,não há porque se preocupar. Estamos bem. Maravilhosamente bem!!
Família. Serão todas assim? Cheio de gente estranha que mal se conhece, que tem medo de conversar, que se irritam quando invadem seu espaço privado, como se estivessem virando de avesso sua própria alma? Se é assim uma família normal, tenho uma família feliz. Onde padrões familiares se repetem, de pai para filho, de mulher para homem, de homem para mulher, de pessoa para pessoa, perpetuando o mesmo erro, através de gerações e gerações, tornando a vida algo digno de ser amaldiçoado. Louvada seja a minha família! Onde tudo o que você quer, nunca se concretiza, e parece mesmo um crime hediondo.Onde cada tentativa de mudar as coisas é fadada ao fracasso antes mesmo de começar. Onde se vê que dinheiro não traz felicidade. Onde cada membro permanece sozinho e triste, como se estivesse isolado num deserto. Onde tudo e todos no fim são apenas tijolos que contribuem para a grande muralha, a grande prisão para qualquer afeto ou amor. Ainda bem que tenho minha família. Pois se tivesse nascido em outro lugar, talvez poderia ser feliz.
Aqui, se há amor, trata-se de algo raro. Algo que quase nunca se vê. Se há, realmente não duvido, mas é visto como algo a se esconder, no fundo do porão, onde ninguém possa ver, e onde raramente lembramos que existe. O amor é guardado numa caixa lá no fundo, embaixo das caixas que contém tudo o que não tem a menor utilidade. Aqui, o que importa é o bem estar superficial. Se para aqueles que aparecem de vez em quando, e quando aparecem, me tranco no quarto e leio meu jornal, estiver tudo em harmonia,não há porque se preocupar. Estamos bem. Maravilhosamente bem!!
Família. Serão todas assim? Cheio de gente estranha que mal se conhece, que tem medo de conversar, que se irritam quando invadem seu espaço privado, como se estivessem virando de avesso sua própria alma? Se é assim uma família normal, tenho uma família feliz. Onde padrões familiares se repetem, de pai para filho, de mulher para homem, de homem para mulher, de pessoa para pessoa, perpetuando o mesmo erro, através de gerações e gerações, tornando a vida algo digno de ser amaldiçoado. Louvada seja a minha família! Onde tudo o que você quer, nunca se concretiza, e parece mesmo um crime hediondo.Onde cada tentativa de mudar as coisas é fadada ao fracasso antes mesmo de começar. Onde se vê que dinheiro não traz felicidade. Onde cada membro permanece sozinho e triste, como se estivesse isolado num deserto. Onde tudo e todos no fim são apenas tijolos que contribuem para a grande muralha, a grande prisão para qualquer afeto ou amor. Ainda bem que tenho minha família. Pois se tivesse nascido em outro lugar, talvez poderia ser feliz.
Mostrar-se
Faço parte deste mundo. Mesmo que não queira, faço parte. Sou um corpo animado, vivo, que perambula por essa terra abstrata de ninguém. Instinto de aparecer, diriam os pós-modernos. O ser humano aparece como fenômeno para si e para os outros. Quer queira, quer não. Tudo o que faço, tem uma consequência, por mais que isso seja tudo o que não quero. Quero viver minha vida em paz, sem consequências para ninguém. Praticamente tudo o que mostro, não é o que quero mostrar. De qualquer jeito, me mostro. Insconscientemente, me mostro. Como diria Heráclito, quando os meninos se entretinham a catar piolhos disseram: "Tudo o que vimos, tiramos, o que não vimos, carregamos conosco". O que mostro para os outros é pouco, mas ainda sim é mais do que desejaria mostrar. Permanece o essencial, o triste, o secreto dentro de mim, a me corroer, a dilacerar todo o amor. Mas ainda assim, meus atos, minhas ações, expressões, intelecções, falam mais do que gostaria que falassem. Falam por mim, mais do que eu próprio falo de fato. Meu silêncio, minha abstinência da vida, fala mais do que mil palavras que eu poderia escolher, falariam. Ainda assim, permanece o essencial. Ou não? Talvez eu diga tudo, talvez todos saibam do que eu mesmo não tenho conhecimento em mim mesmo. Talvez só hesitem em falar. Sabem de tudo, mas não falam. Observam como se observa um macaco no zóológico. Dizem eles por dentro: "Olha lá, como ele é inteligente, até parece que está tentando falar algo. Olha só, ele gosta de bananas. Ih! aquele gemido parecia que ele estava realmente dizendo algo.Meu Deus, será que ele não vê que é um macaco? Nossa, como ele parece humano". Falo mais do que gostaria de falar. Ou do que posso falar. Como se não soubessem. Como se eu pudesse esconder. Não há nada escondido, não há mistérios em meu ser, em minha pessoa, assim como não há mistérios no mundo. O que há, são mal intérpretes. Não conseguem ver além daquilo que vêem com os próprios olhos. Mesmo que esse além esteja tão nitido quanto o mais físico, mais material que um objeto pode ser. Não há metafísica, só há cegos. E numa terra de cegos, aquele que só tem um olho é rei.
terça-feira, maio 10, 2005
A incrível arte de ressucitar defuntos
mais um dia!!!!
vamos, levante moribundo! em marcha, ande!
ande logo, carregue seu fardo, e agradeça por estar leve demais.
e agradeça por estar vivo.
e agradeça por ter o que tens.
e agradeça pela saúde que tens.
e agradeça pelos poucos e preciosos amigos que tens.
e agradeça pela família que tens.
e agradeça pela incrível capacidade de conseguir hoje enxergar as cores nesse dia completamente cinza.
vamos, levante moribundo! em marcha, ande!
ande logo, carregue seu fardo, e agradeça por estar leve demais.
e agradeça por estar vivo.
e agradeça por ter o que tens.
e agradeça pela saúde que tens.
e agradeça pelos poucos e preciosos amigos que tens.
e agradeça pela família que tens.
e agradeça pela incrível capacidade de conseguir hoje enxergar as cores nesse dia completamente cinza.
Vida
Estão todos mortos ao meu redor. Vivem somente para seus egos. Nenhum olhar que brilha, só o que vejo é sofrimento e confusão. Quero que todos morram para si mesmos! Morram para seus objetivos, sonhos e desejos enrustidos! Um lampejo de vida dá sinal em meu ventre mas hesita diante de cadáveres ambulantes dotados de sonhos, pensamentos e podridão. A mediocridade toma conta. Foda-se essa merda de geração! Não vejo vida em lugar algum.
segunda-feira, maio 09, 2005
SOS
minha poesia é repleta de mágoas. de sofrimento. de desamor.
minha alma é repleta de angústias. de sonhos não realizados. de desejos contidos. de tesões enrustidos.
meu dia-a-dia é repleto de questionamentos.
entro sempre num redemoinho envolvido pelos nebulosos braços que meu inconsciente criou. e náufrago jogo minha garrafa de SOS aonde está escrito: "queria saber o que querer".
hoje não vim mostrar minha felicidade.
hoje não vim falar de amor.
hoje não vim trazer a poesia.
hoje vim trazer a dor.
queria chorar todas as lágrimas. mas como viver como um peixe?
queria dizer coisas belas. energéticas. que provocassem aquele furor interior e iluminassem o dia depois de um temporal.
mas hoje foi muito pra mim.
hoje foi muito.
hoje foi.
ainda bem que o verbo está no passado.
passou.
mentira. não passou nada. mais uma vez engano-me. é difícil aceitar o meu inconsciente como sendo eu mesmo. pra mim ele parece uma entidade indomável. parece que ele conspira contra mim. sendo que na realidade ele me protege. é minha parte mais animal. o instinto da sobrevivência. mas será que ele não sabe que está me fazendo mal? que todo excesso de protecionismo acaba trazendo o seu revés?
do avesso me viro
no colo
do travesseiro
eu vivo
triste isso não? haha me deu até náuseas de tão ridículo. me senti um feto carente depois de escrever isso. mas tá ai pra quem quizer ler.
e no decorrer desse texto lendo e relendo e messenger pulando e outros e-mails sendo lidos foi tudo se passando.
está tudo ficando mais calmo. minha tristeza passando. até um sorriso saiu agora de meu rosto.
é, acho que o náufrago lá em cima acabou de ser resgatado.
minha alma é repleta de angústias. de sonhos não realizados. de desejos contidos. de tesões enrustidos.
meu dia-a-dia é repleto de questionamentos.
entro sempre num redemoinho envolvido pelos nebulosos braços que meu inconsciente criou. e náufrago jogo minha garrafa de SOS aonde está escrito: "queria saber o que querer".
hoje não vim mostrar minha felicidade.
hoje não vim falar de amor.
hoje não vim trazer a poesia.
hoje vim trazer a dor.
queria chorar todas as lágrimas. mas como viver como um peixe?
queria dizer coisas belas. energéticas. que provocassem aquele furor interior e iluminassem o dia depois de um temporal.
mas hoje foi muito pra mim.
hoje foi muito.
hoje foi.
ainda bem que o verbo está no passado.
passou.
mentira. não passou nada. mais uma vez engano-me. é difícil aceitar o meu inconsciente como sendo eu mesmo. pra mim ele parece uma entidade indomável. parece que ele conspira contra mim. sendo que na realidade ele me protege. é minha parte mais animal. o instinto da sobrevivência. mas será que ele não sabe que está me fazendo mal? que todo excesso de protecionismo acaba trazendo o seu revés?
do avesso me viro
no colo
do travesseiro
eu vivo
triste isso não? haha me deu até náuseas de tão ridículo. me senti um feto carente depois de escrever isso. mas tá ai pra quem quizer ler.
e no decorrer desse texto lendo e relendo e messenger pulando e outros e-mails sendo lidos foi tudo se passando.
está tudo ficando mais calmo. minha tristeza passando. até um sorriso saiu agora de meu rosto.
é, acho que o náufrago lá em cima acabou de ser resgatado.
quarta-feira, maio 04, 2005
Tristeza
Uma tristeza invade minha vida, sem pedir licença. Quem te chamou aqui? Estava tudo tão bem!!!!! De qualquer jeito, quer eu queira, quer não, ela está aqui. Como um parasita a me sugar toda a energia, a energia que fazia a máquina viver, a engrenagem rodar, com a missão de que tudo fique tão igual e monótono como estava. Que felicidade era minha vida! Como era bom meu tempo de máquina, uma máquina feita de pensamentos, meio enferrujada concordo, com alguns problemas de adaptação, mas nada que a tecnologia dos acontecimentos e do tempo não pudessem resolver. Eu era sim, uma máquina. Feita de pensamentos, que insistiam em ser logo contraditos, mas nada que o tempo não consertasse. Logo, tudo ficaria bem. Como estava.
Maldita tristeza que me apareceu, desfazendo meu sonho de continuar sempre sendo uma criançinha medíocre, que não desistia de dissolver todos os seus sonhos. Amaldiçoada seja essa tristeza, essa angústia que não cessa de me fazer crer que estou vivo, que devo olhar para minha existência como algo sagrado e infinitamente valioso. Mas que lástima! Será que não poderei mais me esconder entre máscaras que invalidam toda e qualquer experiência autêntica que eu possa ter? Nada mais de rotinas matematicamente calculadas, premeditando todo e qualquer risco que me faça acordar? Não terei mais uma vida completamente sem sentido, onde tudo e todos não possam me tocar onde realmente importa ser tocado? Onde pensamentos justifiquem o tempo todo minha posição tão confortável diante da vida, onde a filosofia, e haja tanta filosofia, que dê conta de tudo o que me faz hesitar diante do rio, correndo assustado e completamente desesperado quando meu pai me acena de sua canoa, feliz de ver minha disposição em substituí-lo na temível aventura que é a própria vida! como um torcedor na arquibancada de um estádio imenso que é a vida, criticando os jogadores, olha como eles são patéticos correndo atrás de uma bola, de um desejo,um objetivo, de um amor. Amaldicoada seja essa tristeza que me invade como um suplicar que diz "viva sua existência feliz."
Maldita tristeza que me apareceu, desfazendo meu sonho de continuar sempre sendo uma criançinha medíocre, que não desistia de dissolver todos os seus sonhos. Amaldiçoada seja essa tristeza, essa angústia que não cessa de me fazer crer que estou vivo, que devo olhar para minha existência como algo sagrado e infinitamente valioso. Mas que lástima! Será que não poderei mais me esconder entre máscaras que invalidam toda e qualquer experiência autêntica que eu possa ter? Nada mais de rotinas matematicamente calculadas, premeditando todo e qualquer risco que me faça acordar? Não terei mais uma vida completamente sem sentido, onde tudo e todos não possam me tocar onde realmente importa ser tocado? Onde pensamentos justifiquem o tempo todo minha posição tão confortável diante da vida, onde a filosofia, e haja tanta filosofia, que dê conta de tudo o que me faz hesitar diante do rio, correndo assustado e completamente desesperado quando meu pai me acena de sua canoa, feliz de ver minha disposição em substituí-lo na temível aventura que é a própria vida! como um torcedor na arquibancada de um estádio imenso que é a vida, criticando os jogadores, olha como eles são patéticos correndo atrás de uma bola, de um desejo,um objetivo, de um amor. Amaldicoada seja essa tristeza que me invade como um suplicar que diz "viva sua existência feliz."
Assinar:
Postagens (Atom)